segunda-feira, maio 07, 2012

Olhar de Curumim


Olhar de Curumim

Quando era criança,  eu me surpreendia com a imagem da TV, afinal, de onde vinha aquele povo falando? Como toda aquela gente cabia dentro de uma caixa e como tudo aquilo era transformado em cenas de vida real? Curiosidade natural que se transformaria em um gosto pela aventura de aprender.

Eu me surpreendia com a música do rádio, com o som propagado. Olhar de curumim, surpreendendo-se com tudo a sua volta. Tudo era Divino, fascinante, que "da hora".  Eu aprendia, mas com sabor na boca de quem saboreia o que descobre, sem perder o encanto, sem deixar de dar valor.

Surpreendia-me com o vôo do avião no céu; com a construção dos prédios; com tudo aquilo que parecia tão complexo de ser feito, construído - tudo tão belo e tão incrível. Pura mágica!  Como é que isso acontecia?

À medida que fui crescendo, comecei a querer saber sobre o truque no fundo da cartola do mágico e pouco a pouco, fui deixando de ver graça no arco-íris, na dança das gotas da chuva caindo em poça de água suja. O aprendiz queria saber explicações e começou a se esquecer das verdades escondidas na contemplação.

Fui endurecendo a vista, controlando a emoção; a razão foi prevalecendo, o Curumim em mim desaparecendo; e eu já não me importava em saber de onde vinha o beija-flor ou para onde ia aquele vento que assobiava nas janelas das casas, talvez por ter pressa, levando embora rostos amigos ou outros tantos que nunca valeram a pena eu ter conhecido. Tudo tinha explicação, a mágica era apenas um truque, nada mais, nada extraordinário. 

Cresci matando os milagres; esses pequenos presentes manifestados em grandes feitos pela minha vontade. Assassinei o Grande Mistério, cortando-o em fatias de explicações cientificas; mergulhando em teorias quânticas que se perderam no labirinto atômico da matéria.

Quando eu já me achava sem fascínio, um certo dia, nasceu a minha filha e a vontade de bater palmas diante do espetáculo da vida  recomeçou: clap! Clap! Clap! 

E qualquer chance de emoldurar o milagre no mundo do comum se desfaz quando vejo ela sorrindo com o sol da manhã, querendo brincar, querendo descobrir o mundo com esse brilho de Curumim no olhar que nós adultos nunca deveríamos deixar apagar. 

Bravo! Bravo! Bravo!

Um comentário:

INAMAR disse...

LINDA ! Deus a ilumine , sempre .

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