segunda-feira, abril 09, 2012

Barrados no Ritual



Fomos, Auri e eu e a Jureminha, para um ritual de Páscoa.

A ideia era que pudéssemos começar a levar minha filha para os lugares onde fazemos os nossos estudos espiritualistas. Como geralmente passamos o dia inteiro fora, trabalho espiritual mesmo é conseguir arrumar sempre alguém que cuide dela para gente; além disso, justamente por não termos uma religião, queríamos que ela crescesse já conhecendo como os pais dela estudam essas temas espirituais.

Desde que eu e Auri começamos a estudar todas as religiões e escolas do Divino, sonhávamos com a possibilidade de educarmos os nossos filhos com o mesmo ecletismo que temos em relação a isso, daí, nada mais natural querer levar a Jureminha com a gente.

Como era um Ritual de Páscoa naquela escola, imaginamos que teria muitas crianças, mas para a nossa surpresa, Jureminha era a única criança no lugar. Até aí tudo bem, ninguém parecia mesmo se importar com aquele erezinho brincando e gritando pelo templo. Até que lá pelo meio do Ritual, quando Jureminha começou a apresentar um chorinho de cansaço, típico de bebê que tem sono e quer dormir; fomos convidados discretamente a sair do salão.

Auri compreendeu; eu não! Auri disse, com toda razão, que uma criança chorando realmente prejudica qualquer ritual, show e exibição; ter que sair de algum lugar para não atrapalhar os outros é um preço a se pagar quando se tem bebês; contudo, não foi assim que eu aceitei a expulsão.

- Acalma o seu coração, Frank! - Auri disse - Eles tem o direito de pedir que a gente saia.

- Não aceito, Auri! - falei - Sim, eu sou pai babão e orgulhoso de ter meu bebê sempre ao meu lado e não, não vou aceitar qualquer exclusão apenas porque o bebê começou a chorar ou reclamar. Compreendo que há alguns ritos onde crianças não são aceitas, mas os rituais espirituais que estudamos são aqueles que precisam trabalhar sempre com a inclusão e qualquer lugar sem criança não tem a menor diversão, nem ligação real e alegre com as forças divinais.

- Acabou de reclamar? - Perguntou Auri.

- Sim! - falei com cara emburrada!

- É simples! - Ela disse - Da próxima vez, antes de irmos ao local, a gente liga e pergunta se crianças são bem vindas; se forem, a gente conhece o local e participa; se não forem, a gente só vai se a gente quiser ir. Além disso, o importante é estarmos juntos, não é? Na inclusão e na expulsão, família unida!

Olhei para ela e para a Jureminha e sorri. E foi nesse momento que percebi que eu tinha recebido um insight de Páscoa: eu tinha uma religião sim e ela é a minha família.

((()))



Ps: Atendendo aos pedidos que recebi por e-mail, voltarei a postar as crônicas com a Jureminha toda segunda-feira nesse espaço. Obrigado a todos que acompanham e espero que vocês possam também aprender com a minha filha, as lições que venho aprendendo.

2 comentários:

Denise disse...

Não preciso nem dizer que eu adoro as suas crônicas né Frank?
Que boa notícia, as crônicas da Jureminha voltarão às segundas, eba!!! As nossas segundas-feiras começarão bem!!!
E viva a família!!!
Bjs

INAMAR disse...

Aleluia ! Viva a Jureminha ! Essa Mestre..! Grata e que Deus ilumine essa família cada vez mais. Bjks.

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