sexta-feira, junho 10, 2011

NENHUM HOMEM É UMA ILHA


A natureza pode ser uma grande mestra, gritando alto em seu silêncio de sabedoria, na complexidade de seu conjunto de coisas tão simples, como deveria ser na empresa.

por: Rubens Fava


O grande filósofo Teilhard de Chardin criou uma célebre frase; “no men is an island”, ou seja, “nenhum homem é uma ilha”. Isto significa que o homem não consegue viver isoladamente e precisa um dos outros para a sua sobrevivência.

A natureza nos ensina que esta é uma lei que vale para todos. As plantas, por exemplo, precisam da ajuda de alguns animais para poder dispersar seu pólen ou suas sementes para assegurar a sobrevivência da espécie.

Para conquistar esta parceria muitas delas precisam atrair a atenção dos seus polinizadores ou dispersores, ou em uma linguagem mais administrativa, de seus parceiros.

Para isso normalmente atuam, primeiro atraindo a atenção desses colaboradores em potencial e depois oferecendo o néctar que recompense o serviço prestado por estes parceiros.

Esta atração não é tarefa fácil, pois mesmo na natureza a competição é grande, muitas plantas também usam estratégias diferenciadas, tais como a utilização de cores fortes que se sobressaem ao verde das florestas, ou ainda utilizam uma outra estratégia bastante eficiente que é o cheiro.

Se observarmos, iremos concluir que o problema é que estes mesmos artifícios também são utilizados por inúmeras outras plantas, senão, pela maioria delas. Neste caso, a questão é; “como conseguir destaque neste ambiente tão competitivo?”

Talvez a resposta esteja na qualidade do néctar e principalmente na maneira como ele é oferecido ao parceiro em potencial.

Se tivesse que dar um conselho a uma plantinha, poderíamos orientá-la de que deve adicionar um pouquinho mais de açúcar a seu néctar para que ele tenha um sabor agradável, com isso cria a fidelidade de seu parceiro que voltará sempre.

É bom lembrá-la de que a localização é muito importante, pois se estiver em um local muito exposta ao sol isto fará com que a evaporização da água torne seu néctar muito doce o que certamente não agradaria seu parceiro, por outro lado, se estiver em um local muito fechado, impedirá a entrada de água da chuva, neste caso o efeito seria o contrário, seu néctar poderia se diluir de forma excessiva e tornar menos doce.

Outro cuidado é não deixar seu néctar muito exposto, uma vez que com a facilidade em obtê-lo, seu possível parceiro se beneficiará dele sem oferecer, em contrapartida, o serviço de transporte de seu pólen e ai sua sobrevivência ficará comprometida.

A estratégia, então, é deixar seu néctar na parte mais profunda da flor, onde obrigatoriamente ele terá que tocar no pólen para chegar até o produto de seu interesse que é o néctar.

Teilhard de Chardin está certo não há nenhuma possibilidade de sobrevivência se não houver parceria.

No mundo dos negócios não é diferente. Vivemos hoje numa sociedade cuja evolução tecnológica da era pós-industrial representa a transformação da riqueza física, baseada na terra e nos bens de produção, em ativos intangíveis.

Neste sentido, ganhou significado patrimonial não só a marca, mas também os domínios, os bancos de dados, os softwares, as tecnologias, as licenças e outros.

Neste cenário, uma série de mudanças comportamentais e de postura ocorreu.

O ambiente de negócios se transformou, principalmente com a inversão da cadeia de produção, com um modelo de logística reversa, sem estoques, com terceirização de pessoas, processos e até operações.

O marketing passou a olhar de fato para o cliente, criando interfaces de contatos, seja ele qual for; e.mail, comércio eletrônico, home page, etc.

Hoje as empresas precisam da ajuda do cliente para poder divulgar sua marca ou sua imagem, pois ambas constituem a alma da empresa e asseguram a sua sobrevivência.

Muitas precisam atrair a atenção de seus clientes, criando o que podemos denominar de “clientes apóstolos”, ou seja, aqueles clientes formadores de opinião, que assim como as plantas, precisam atrair a atenção e depois oferecer algum benefício, algum néctar, que recompense a preferência deste por seu produto, seu serviço ou sua marca.

Como na natureza, no mundo dos negócios esta também não é uma tarefa fácil. A competição é enorme e a maioria das estratégias utilizadas para atrair o cliente em geral, são similares entre todas as empresas. Neste caso a questão é a mesma feita anteriormente em relação à natureza; “como conseguir destaque neste ambiente tão competitivo?”

A resposta também não é diferente, talvez esteja na qualidade do produto (néctar) e principalmente na forma como ele será oferecido.

Para começar o produto e/ou serviço deve atender ao máximo possível as necessidades do cliente para que ele volte sempre, uma vez que sabemos que o cliente não compra produto, compra benefício.

Por outro lado, a localização também é importante, pois ela possibilita o adequado posicionamento do produto no mercado e conseqüentemente o valor percebido do cliente, ou até para impedir que o cliente forme uma imagem que leve em consideração apenas o produto, diluindo o valor dos serviços adicionais, desvalorizando assim o valor do produto.

Enfim, a natureza pode ser uma grande mestra, gritando alto em seu silêncio de sabedoria, na complexidade de seu conjunto de coisas tão simples, como deveria ser na empresa.

Ela espalha suas lições em cada folha, em cada árvore, na água, no mar, no colorido das flores, dos animais e dos pássaros.

Nos ensina que a sobrevivência das espécies passa pela cooperação de uma com as outras.

São ensinamentos que sem uma percepção apurada não se consegue captar.

Assim como na natureza, nos negócios também é necessário procurar enxergar o que não está visível somente assim a empresa poderá sobreviver neste ambiente complexo e competitivo.

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