quarta-feira, fevereiro 16, 2011

Orum Ananda

Por Fernando Sepe

Aula e Entrevista no Astral

Antes de ir dormir, sinto algumas presenças espirituais dentro do meu quarto.
Engraçado, acabo de escrever um texto sobre a projeção da consciência, talvez
tenha sido algo inspirado por esses mentores. Provavelmente vai acontecer algum
lance no astral, e eles estão aqui para me ajudar no despreendimento espiritual.
Elevo os pensamentos, agradeço ao Criador, deito na cama e relaxo serenamente,
caindo no sono, com a consciência em Deus...

Desperto com boa lucidez dentro de uma sala muito iluminada, toda pintada de
branco, com alguns quadros e pinturas. Parece uma sala de aula pela disposição
das cadeiras e do "locutório", um lugar mais elevado para onde às atenções são
dirigidas. Vejo que muitas pessoas estão chegando, e sentando - se para assistir
a algum tipo de palestra. Lembro - me das circunstâncias antes de eu ir dormir,
e agradeço, pois com certeza foram os guias espirituais que me levaram até
aquele local. Nesse momento minha consciência aumenta e fico totalmente lúcido.

Percebo que muitas pessoas que estão sentadas ao meu lado parecem "cochilar”,
não estando totalmente conscientes, devem ser outras pessoas projetas, assim
como eu. Também existem espíritos desencarnados sentados, esses parecem ter um
grau de lucidez maior, além de alguns espíritos que parecem trabalhar no lugar,
zelando pela organização e ordem do local.

Passado algum tempo, uma mulher negra, de idade entre 40 a 50 anos adentra na
sala. Apresenta - se com o nome de Lúcia, e diz que falará algo a respeito do
desenvolvimento mediúnico dentro da Umbanda. Fora uma dirigente espiritual de um
templo de Umbanda, durante muitos anos até seu desencarne. Estava ali para
compartilhar um pouco das suas próprias experiências.

Faz uma prece aos sagrados Orixás e pede a inspiração divina. Começa então a
falar do desenvolvimento mediúnico propriamente dito, de sua fundamental
importância para toda a vida mediúnica que se seguirá, que é nessa época que o
médium está lançado e construindo bases firmes para poder erguer sobre elas seu
templo interior onde os Orixás se manifestarão.

Comenta também sobre a mecânica da incorporação, explica como os centros de
força (chacras) são de fundamental importância, além de insistir em quebrar o
mito da incorporação inconsciente. Diz que essa mediunidade inconsciente hoje
está "fora de moda" (risos) e que as manifestações mediúnicas hoje já não tem
mais como objetivo provar nada a ninguém, e que uma mediunidade consciente, além
de estimular o médium a estudar, o ajuda a participar ativamente do trabalho
assistencial, não sendo uma marionete nas mãos do guia, mas sim, elemento
importante e ativo dentro da egrégora de luz da Umbanda.

Explica que mediunidade não é uma prova, mas é apenas um dom ou capacidade do
espírito encarnado e desencarnado. Que estudamos e a aceitamos em algum período
entre vidas, para poder hoje manifestá - la participando ativamente da corrente
de Umbanda.

Também falou sobre a importância da moral elevada e da busca de paz de espírito
que o médium deve ter. Mas em momento algum levou para um lado moralista, nem
construiu um “modelo” dogmático e perfeito, pelo qual todos deveríamos seguir.
Ser médium é ser um ser humano como qualquer outro com problemas e defeitos, com
traumas, carências e bloqueios também. Mediunidade não diviniza nem inferioriza
ninguém. Essa era uma "máxima", em sua opinião.

Muitas outras coisas ainda foram ditas, até o término da palestra. Muitos
começaram a se afastar do lugar e eu fiquei curioso com algumas perguntas a
serem feitas. Aproximei-me e ela disse:

_Oi Fernando, estava esperando você vir até aqui. Vejo que está bem lúcido isso
será excelente para a rememorização da experiência. Você quer me fazer algumas
perguntas, não é isso?

_Bem, eh... _fiquei um pouco sem graça _ isso, algumas perguntas bem simples e
diretas, porque sei que muitos gostariam de ter uma opinião de uma dirigente
desencarnada, além de serem dúvidas freqüentes a respeito do desenvolvimento
mediúnico. Pode ser?

_Mas é claro meu jovem, pode começar.



_Lúcia, quanto tempo você acha que é necessário hoje para o desenvolvimento da
mediunidade?

_Veja bem, você vai desenvolver sua mediunidade até o fim da sua vida, sempre
melhorando - a cada dia. Mas caso você queira dizer quando o médium está pronto
para o trabalho espiritual, essa pergunta é muito difícil. Hoje em dia a
mediunidade está acelerada assim como o seu desenvolvimento, principalmente
devido a todo esclarecimento e abertura de conhecimento dentro da Umbanda. Eu,
por exemplo, demorei 5 anos para passar para a corrente de médiuns que
realizavam o atendimento espiritual. Hoje esse tempo é bem menor, cerca de um a
dois anos, hahaha, ainda bem, não é mesmo? Claro que existiam pessoas que mesmo
no meu tempo já eram muito mais rápidas, e existiam aqueles que, vamos dizer
assim, já “nasciam prontos”, mas esses eram muito mais raros.

_E você era uma médium inconsciente?

_Hahaha, eu? Não, não era! Apesar de jurar para todos, inclusive para o
dirigente da casa, de que eu era. Sabe como é, existia muita cobrança a esse
respeito, era muito difícil, não tinha com quem conversar, e caso você dissesse
que lembrava de alguma coisa, logo as pessoas passavam a te julgar como uma
mistificadora. Mas hoje conversando com a maioria dos médiuns desencarnados que
trabalharam comigo, e vendo os trabalhos na tenda de Umbanda que um dia eu
dirigi, percebo que todos tínhamos um grau de consciência. Isso me entristece um
pouco. Caso eu tivesse tido esse tipo de orientação que vocês estão tendo hoje,
com certeza muitas bobagens, acusações e julgamentos errôneos eu deixaria de ter
cometido. Por isso, por favor, estudem, aproveitem a chance que lhes está sendo
dada.

_Como se deu a sua escolha como dirigente da casa?

_Um pouco antes de o dirigente desencarnar, o seu guia chefe, o senhor caboclo
Pena Verde incorporou e disse que eu deveria dar continuidade aquele trabalho.
Foi um choque para mim, o seu Carlos (esse era o nome do dirigente) nunca tinha
ensinado - me muitas coisas, e eu me sentia totalmente despreparada. Relutei
muito a aceitar, chorava, não queria aquela responsabilidade. Na verdade o que
eu tinha era falta de confiança em mim mesmo. Isso é uma das coisas que mais
desequilibra, além de ser uma das três grandes pedras no sapato do médium. As
três grandes pedras são: a vaidade, o medo e a falta de confiança. Superando
essas três dificuldades a maioria dos problemas são vencidos. Lembro - me que
apenas aceitei por amor que tinha pela Umbanda, e pelo Senhor Caboclo Pena
Verde, que muito tinha ajudado - me e sabia, sempre estaria comigo. Por isso
digo a todos: “Se um dia a espiritualidade e os Orixás chamarem - no para
assumir essa responsabilidade, aceite! É algo gratificante, e tenha
certeza, do lado "de cá"não faltará amparo. Não tema, os Orixás guiarão vocês”,
isso foi a minha experiência pessoal que ensinou...

_ E quanto ao animismo nas manifestações, o que você tem a nos dizer?

_Olha, isso é um assunto muito extenso. O que te digo é que depois que
desencarnei, muita coisa aconteceu e vi que muitas das coisas que eu achava
serem dos guias, não passavam de trejeitos e vícios anímicos. Mas isso é normal,
o importante é a mensagem e o trabalho espiritual do guia, não seus trejeitos,
caracterização ou manifestação. Também vi que muitas coisas que deixei de fazer
e realizar porque achava serem intuições anímicas, a chamadas "coisas da nossa
cabeça" (risos), eram, em verdade, trabalhos a serem realizados. Meu conselho é:
use o discernimento e caso seja uma intuição voltada para o trabalho com a luz,
coloque - a em prática! O discernimento nas práticas espirituais é
importantíssimo, mas tem muita gente que acaba se focando tanto no "julgamento"
da manifestação mediúnica que esquece de olhar em volta e perceber o quanto elas
ajudam o próximo. Caso for pela luz, faça! Sempre que você estiver com a
consciência elevada existirão olhos e mentes sintonizadas com o seu
coração.

_ Por fim, como você vê a Umbanda hoje em dia? Que mensagem você deixaria se
pudesse falar com todos os umbandistas de uma só vez?

_Ah, a nossa querida Umbanda...

_Ela encolheu, mas de certa forma muitos dos abusos realizados em seu nome foram
desfeitos. Ainda sim existe muita desunião, briga e vaidades em jogo. O
conhecimento de Umbanda está sendo aberto, muitos umbandistas estão com o “fogo
da alma” aceso, prontos para brigar e levar a Umbanda para frente. Ah, seu eu
tivesse toda essa oportunidade que vocês estão tendo agora quando encarnados...

_Sabe, quando vejo algumas mentalidades antigas dentro da Umbanda, como a de
negar o conhecimento e a informação, me entristeço porque também fui vítima
disso, assim como pratiquei. Arrependo-me muito disso. O jeito de concertar as
bobagens que fiz, é assim, tentando passar um pouco da minha experiência para
vocês em palestras e agora para você através dessa entrevista. Eu amo a Umbanda
e continuo a trabalhar por ela, esteja onde eu estiver. Quando vocês
desencarnarem verão, que a Umbanda é apenas UMA, apesar das diferenças que
existem de centro para centro, e então perceberão a bobagem que fizeram, quando
perderam seus tempos discutindo sobre qual a "melhor Umbanda”, ao invés de se
unirem em torno de um ideal de amor e caridade, em torno de um ideal de evolução
e semeadura da Umbanda.

_A todos os umbandistas, jovens ou velhos, aos que trabalham 1 ano ou 50 anos,
eu diria, a Umbanda é divina. Vocês têm um tesouro na mão, cultive - o, traga -
o para dentro de você. Passe por cima das diferenças, estude, ensine, pratique a
caridade. Dê oportunidade para todos, das crianças aos velhos, do culto ao
inculto, do pobre ao rico, pois Umbanda é isso, é Universalista, é sem
preconceito, é abrangente, é a religião que “incluí todos os excluídos”, é
amor e caridade, hoje e sempre...







Despedi – me, agradecendo por aquela pequena “entrevista”. Dei um abraço
apertado naquela senhora, que lutou e continuava lutando pela Umbanda. Senti a
característica tração na nuca, que prenuncia a volta para o corpo físico através
da tração do cordão de prata. Perdi a consciência, e acordei no corpo físico.
Corri e escrevi tudo que lembrava...

Queria por fim tecer alguns comentários sobre mãe Lúcia, uma mulher que viveu
pela Umbanda, em uma época difícil, que trabalhou e semeou a religião de
Aruanda, e que ainda hoje continua a fazer isso, dando palestras, cursos e até
mesmo essa “entrevista” a partir do plano astral. Que viveu em uma época em que
o conhecimento era “fechado”, mas que hoje luta para a expansão dele. Que
vivenciou os tabus em relação à mediunidade, mas hoje ensina a mediunidade de
uma forma clara e limpa.

Que essa história possa ser exemplo de vida e nos ajude a entender o momento que
a Umbanda passa. Ou agarramos essa chance, ou talvez, os esforços de todos
aqueles que trouxeram a Umbanda até nós e que continuam hoje a lutar por ela,
serão em vão...





(Fernando Sepe, agradecendo pelos guias terem me levado até essa aula, pela
oportunidade e especialmente a Mãe Lúcia por nos instruir com suas generosas
palavras e experiência...)



Mais textos em: http://blog.orunananda.zip.net



Voe, voe, voe...

Por Fernando Sepe

Essa noite, ou em qualquer outra, quando você deitar seu corpo físico para
dormir, eleve os pensamentos ao altíssimo, agradeça pela oportunidade de evoluir
e, nesse momento, transborde - se de sentimentos legais, aumente sua
consciência, ligue - a ao Todo...

Então feche os olhos da carne e abra os olhos do espírito. Pense firmemente nas
possibilidades infinitas de trabalho que se abrem para você nos planos além da
matéria, nas muitas dimensões desse infinito universo. Integre - se a uma enorme
corrente de Luz e Amor, que há milênios faz do sono físico a porta de saída para
o trabalho e o aprendizado espiritual.

Mas isso demanda estudo sério, discernimento, muito amor e força de vontade.
Isso requer caráter, honra e retidão de valores. Exige uma mente aberta, uma
alma criativa e um coração generoso. Depende dos chacras bem desenvolvidos e
principalmente, de um sorriso no rosto e um sentimento universalista que lhe
permita abraçar o mundo.

Pode parecer pouco mais é muito. Voar não é para todos, apenas para aqueles que
desenvolveram asas. Valendo - se de uma antiga expressão dos mestres taoísta: “A
serenidade de espírito faz a consciência criar asas, e acaba com o sofrimento do
coração..."

Busque a serenidade e suas asas brilharão, permitindo que você voe em direção
ao Sol, quebrando o mito de Ícaro, provando sua divindade própria. Abra suas
asas de luz e viaje nas ondas da paz e do trabalho assistencial. Visite sua
verdadeira família espiritual, que tanto te amam. Voe, voe, voe...

E quando pousar, como diria Hermes, pouse suave, afinal, os mestres orientam.
Eleve os pensamentos e agradeça ao Criador, Todo, Brahman, Olorum pelo vôo.
Feche os olhos da alma e abra os do corpo físico.

Acorde, levante e seja feliz!

3õ OM Voar OM 3õ

Fernando Sepe

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