segunda-feira, dezembro 13, 2010

QUANDO A TRISTEZA É BOA!

:( "Há males que vem para o bem", repetia Luka, querendo se atirar do quinto andar, sentindo que a vida não valia a pena. "Depressiva!" Ela era agora um rótulo, parte daquela gente esquisita, as "doidas", gente que precisava de remédio, que diferente das outras pessoas, não aguentou o tranco de encarar o tédio, a vida sem graça, a rotina, e abraçou a desgraça.

Olhando o frasco de remédio em cima da mesa, ela prometeu a si mesma, que não tomaria uma pílula sequer, nem ligaria para o terapeuta recomendado pelo psiquiatra, o médico de loucos e lukas.

Culpou a sua mãe, pois por causa dela, Luka tinha nascido com defeito. Depois culpou a si mesma, culpou o mundo; daí jogou todas as pedras na vida; depois de várias recaídas, bebida e bebidas, foi aconselhada por uma amiga a pedir ajuda. Foi visitar os homens de branco, saiu de lá com uma receita tarja preta e um telefone no bolso.

Agora, precisava tomar uma decisão: o gás, a queda ou o remédio?


E foi pensando nisso que ela se deu conta de algo que nunca imaginara, toda aquela fase dela daria uma boa peça de teatro: Luka, a Louca! A depressiva suicida, em dúvida entre se curar ou se matar. Foi só pensar nisso, que achou graça da desgraça dela e começou a criar...


Concentrando-se em seu drama, ela imaginou a cena, a fala, e correu para o caderno, pegou a caneta e começou a escrever uma peça prontinha e quanto mais escrevia sobre a peça,mas refletia sobre a sua vida, sobre o que levara aquela personagem chamada Luka a pensar tanta bobagem, afinal, a vida era bonita,é bonita!

Na peça, ela contava tudo pelo que passara. Desde o momento em que fora diagnosticada, até o instante que compreendeu que a sua doença não era frescura e ao procurar pela cura, esbarrou no que queria, finalmente, fazer da sua vida: a arte!

Fim de cena! Todos aplaudem!


A peça é um tremendo sucesso. Percorre o Brasil, recebe vários prêmios.


Rende discussões, estudos sobre um assunto tão tabu sendo visto por outro ângulo: não seria a tristeza que desemboca em depressão, uma passagem necessária da vida, para alguns? Quem nunca ficou triste? Ser feliz o tempo todo é coisa de cinema!

É claro, refletiram os críticos, a autora não define bem em sua peça, as diferenças entre tristeza e depressão. Porém, ao levantar a discussão sobre o assunto, o público volta para casa mais leve, sem o peso de precisar ser alegre o tempo todo e sabendo que em caso de tristeza agúda ou depressão iniciada, buscar ajuda é o melhor remédio para perceber que essas fases da nossa jornada podem ser decisivas para nos mostrar como está a nossa vida e a direção que podemos tomar para o que vem em seguida.

Sim, é possível extrair bondade das coisas ruíns; assim como a tristeza pode ser, no final das contas e dos contos, uma coisa boa:)

Um comentário:

ThiagoB disse...

muito bom, como sempre frank, essas fases são muito difíceis de se lidar pois estamos, de fato, acostumados com um ideal de felicidade imutável, felicidade essa, como muito bem colocado, apenas sobrevive nos cinemas. Estamos sempre em busca da felicidade, mas em verdade, estamos sempre buscando a tristeza, mesmo que de forma inconsciente. Isso, pelo menos aplica-se a minha pessoa. Muito obrigado pelos seus textos, têm me ajudado bastante a superar uma fase particularmente difícil de minha vida. um abração.

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