terça-feira, dezembro 21, 2010

ALGUÉM ETERNO E O OUTRO ALGUÉM

Por Eduardo Wilkosz


Os pontos levantados nos artigos anteriores são seguintes:
(1) O Nada Absoluto nunca existiu. Se tivesse, ainda existiria hoje. Mas Outra Coisa existe. Você, por exemplo.

(2) Como o Nada Absoluto nunca existiu, houve sempre um tempo onde sempre existiu Alguma Coisa. Essa alguma coisa chamamos de Alguma Coisa Eterna. Alguma Coisa Eterna não tem começo nem fim, não tem necessidades que ela mesma não possa suprir, pode fazer qualquer coisa que seja possível ser feita e sempre será superior a qualquer coisa que criar.

(3) A Alguma Coisa Eterna não é uma máquina, controlada ou programada por qualquer força além dela mesma. Ela não criará nada desnecessariamente, pois não tem necessidades. Por essa razão, se produz Outra Coisa, precisa tomar essa decisão. Isso quer dizer que a Alguma Coisa Eterna tem vontade própria; conseqüentemente ela é pessoal. Enfim, Alguma Coisa Eterna deve ser Alguém Eterno (ou mais de um).

Continuando, o que podemos dizer sobre o Alguém Eterno, além do que já foi dito? Visto que o Alguém Eterno não tem necessidades que ele mesmo não possa suprir, pode existir sem que precise de um meio ambiente, pois existia quando não havia mais nada a não ser ele mesmo. Qualquer meio ambiente seria algo além dele e por essa razão precisaria ser criado. Mas Ele é tudo o que existe.

É muito provável que o Alguém Eterno seja transcendental; o que significa que ele pode existir fora do tempo e do espaço, pois não é limitado por nenhum deles. Ele tem existido eternamente, portanto fora do tempo. E existe sem a necessidade de um meio ambiente, portanto fora do espaço.

Sendo transcendente ao tempo e espaço, é possível que o que chamamos de Alguém Eterno seja invisível. Somente aquilo que ocupa espaço é visível. Se algo está fora do espaço, como pode ser visto? Assim, é muito provável que Alguém Eterno seja invisível e que possa viver sem a necessidade de qualquer tipo de corpo ou forma.

Para o bem do próprio argumento, vamos imaginar que Alguém Eterno decide criar Outra Coisa – ou melhor, Outro Alguém. Alguém Eterno decide criar Outro Alguém que é semelhante a ele em alguns aspectos. Como ele, o Outro Alguém terá consciência própria, que é algo necessário para se ter vontade própria. Então o Outro Alguém tem uma personalidade e tem vontade própria.

O que mais podemos dizer sobre esse Outro Alguém? Estará Outro Alguém fora do tempo? Não. Outro Alguém não terá existido eternamente. O Outro Alguém terá um começo e, portanto, será limitado pelo tempo.

Lembre-se de que tudo o que Alguém Eterno criar será inferior a ele em relação ao tempo e espaço. Isso não pode ser evitado de maneira nenhuma. Então, mesmo que Outro Alguém fosse viver eternamente no futuro, ainda assim ele teria um começo no tempo. Na verdade, sua linha de tempo cairia sobre a linha (infinita) de tempo de Alguém Eterno.

E quanto ao espaço? Será Outro Alguém limitado pelo espaço? Sim. Somente Alguém Eterno pode viver sem nenhum tipo de meio ambiente. Outro Alguém precisará de um meio ambiente para existir, mas o quê? Pense tanto sobre o espaço quanto sobre o tempo. Outro Alguém existe dentro da linha de tempo de Alguém Eterno. Da mesma forma, Outro Alguém viverá dentro da “linha de espaço” de Alguém Eterno.

O Alguém Eterno transcende ao espaço. Portanto, assim como ele está em todo lugar no tempo, estará em todo lugar no espaço. Então, quando Outro Alguém é criado, ele existirá dentro do tempo e do espaço de Alguém Eterno. Logo, Alguém Eterno é o meio ambiente no qual Outro Alguém irá existir!

Então, temos Alguém Eterno existindo ao redor de Outro Alguém. Mas há um problema: Ele não pode ver Alguém Eterno, porque Alguém Eterno transcende ao espaço e não ocupa espaço nenhum porque ele próprio é todo espaço. Pra vê-lo, alguém teria que ser capaz de ver todo o espaço e o tempo em sua totalidade. Impossível!

Então Outro Alguém não consegue detectar Alguém Eterno. Então o que Alguém Eterno deve fazer se quiser ser visto por Outro Alguém? Ele deve deixar sua posição transcendental. Algum tipo de negação da sua transcendência é essencial é possível? Sim.

Lembre-se: qualquer coisa que possa ser feita, Alguém Eterno pode fazer. Então é possível para ele se fazer visível para Outro Alguém, ou seja, deixar de ser transcendente. Mas como?

Percebemos a presença de outros no nosso mundo através da visão, do cheiro, do tato, do gosto e da audição. Se Alguém Eterno desse a capacidade para Outro Alguém ver ou ouvir, por exemplo, então Alguém Eterno poderia (1) aparecer em uma forma visível, (2) falar com Outro Alguém ou (3) fazer os dois simultaneamente. Essas seriam maneiras de deixar de ser transcendente para que Outro Alguém pudesse ter a percepção de Alguém Eterno.

Lembre-se: Outro Alguém é uma criação. Portanto, Outro Alguém é limitado pelo tempo e pelo espaço. Qualquer que seja sua natureza (do que é feito), ele será percebido no tempo e no espaço. Por essa razão, tudo o Alguém Eterno tem a fazer é assumir a mesma forma que deu a Outro Alguém. Essa é uma maneira de se fazer reconhecido.

Mas, aqui está uma pergunta: se Alguém Eterno deixar de ser transcendental para se fazer reconhecido, ainda seria o Alguém Eterno integralmente? Não! Haveria mais dele ainda não revelado. Embora pudesse divulgar muito sobre si mesmo, todo o seu conjunto – que é ele mesmo em sua transcendência – não poderia ser totalmente conhecido e compreendido por Outro Alguém.

Quem é o Alguém Eterno e quem é o o Outro Alguém?


Fonte: http://ceticismo.wordpress.com

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