sexta-feira, novembro 19, 2010

Xadrez do Ensino

Cheguei entusiasmado, ela estava cansada. Abri o tabuleiro, ela me ajudou a colocar no lugar as peças, mas não estava presente, seu corpo sim, sua alma, lá fora, vagando em meio a mil ocupações que ainda não foram feitas. Não conseguia se desligar, não conseguia esquecer e ainda assim, queria aprender...

Tentei minhas primeiras jogadas, não surtiu efeito; eu tudo, ela nada. Blefei, brinquei e joguei, tentando trazê-la de volta, mas nada consegui. Ela me olhava, mais seu olhar estava lá fora, na poeira das coisas não terminadas.

Ela, então, pediu desculpas. Disse que não estava num bom dia, numa boa semana, o mês estava péssimo, que eu não me preocupasse que a mensalidade estava paga, e que mesmo sem aprender nada, ela continuaria me pagando, sabia que precisava da minha ajuda para aprender aquele jogo, mas não tinha vontade de fazer nada.

Seria fácil, se para mim bastasse o pagamento feito, não bastava. Eu não era professor dela pelo dinheiro, e sim pela causa de ajudá-la, de conseguir despertar nela, uma jogadora daquele idioma, mas eu estava perdendo o meu tempo, o tempo dela, o seu dinheiro, o espaço da vaga; daí, ela avançou e dei xeque-mate: desisti de ensiná-la!

O Rei morrei naquele dia, morreu também a Rainha, daí, prometi que enquanto forças tivesse e forças muitas eu tinha, jamais desistiria de outro estudante. E assim, eu prossigo nesse meu Xadrez do Ensino, por vezes, eu ganho, outras vezes, eu perco, mas não desisto de tentar convencê-lo, que o seu esforço em aprender é que valerá a letra...

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