sexta-feira, novembro 26, 2010

VICIADA EM SOFRER

Todo mundo sabia, ela também, que ele não valia a pena, a crônica; ele não valia sequer alguns versos, porém, havia algo nele, mesmo que não houvesse poesia, pois, ela vivia inebriada dele, sentia a sua falta, não queria terminar, tudo nela, além da lógica, o queria.

Bastava pensar em terminar para o seu corpo todo ficar louco, sua cabeça doia; e ela chorava, chorava, sofria só de imaginar que não mais o veria, mas tudo ficava bem quando ela o via, tudo, menos o relacionamento que ela queria ter com ele; pois assim, que ela satisfazia a sua vontade de ficar com ele, os problemas começavam e eles discutiam, brigavam; ela o acusava de não pensar no futuro, ele a acusava de querer mudá-lo. Ela dizia, que desde que o conhecera, a sua vida, seus planos estavam congelados; ele dizia que ela estava exagerando e os dois terminavam, e voltavam, e terminavam e voltavam...sofrimento e prazer, prazer e desapontamento.
Se fosse só pelo prazer, mas ela queria mais, como se era de esperar, como em qualquer relacionamento que começa, o que é apenas paixão, deseja permanecer no se amar.

Culpa, muita culpa ela sentia por desejá-lo tanto, mesmo sabendo que eles não tinham futuro juntos. Ela sabia, que sem ele, ela voltaria a estudar, trabalhar melhor, se dedicar mais afundo aos seus sonhos, objetivos e ganhos. Então por que doia tanto? Por que ela não conseguia apenas terminar e pronto?

A última vez que ela sentiu essa angústia foi quando tentou parar de fumar...

"Sim! É isso!" ela pensou: " eu não o amo! Estou na verdade viciada nele!"

Ela começou a estudar, então, o que ocorria com a sua mente quando pensava nele, os processos que nos levam a gostar de algo e se viciar nisso. Compreendeu que não estava apenas apaixonada por ele, mas cegamente viciada em tudo que vinha dele. Ela o idolatrava, por isso, não conseguia terminar com ele, estava presa numa cegueira emocional que a fazia continuar com ele, mesmo sabendo que as coisas não estavam bem. De acordo com o que ela lia, continuar com ele, ativava o "sistema de recompensa" do seu cérebro que lhe trazia prazer, bem estar e uma sensação de felicidade...mesmo que fosse passageira.

De acordo com alguns especialistas o que causou prazer no passado deixa de funcionar, ou só funciona às vezes, mesmo assim, o sistema de recompensa responde durante algum tempo a essas lembranças com uma ativação ainda maior, que motiva o cérebro a insistir quase obsessivamente no assunto até recobrar o bem-estar de antes. Esse processo é exatamente o que nos faz apertar dezenas de vezes seguidas, e cada vez mais desesperadamente, o botão do controle remoto cuja pilha acabou. Você vê que não funciona mais – mas e se, graças à sorte ou ao seu charme, voltar a funcionar? Se voltar, ótimo. E se não voltar, a receita da reabilitação é uma só: tempo, abstinência e outros prazeres.

No fim, ela percebeu que tinha duas opções:

a) terminar: o que a faria sofrer, chorar, gritar e passar por toda a angústia da abstinência, até conseguir se limpar da poeira e dar a volta volver.

Ou

b)continuar: e deixar o tempo cuidar do seu vicío...

Ela pensou, pensou e pensou, daí, decidiu: terminou com ele, mas se apaixonou de novo, logo em seguida, por alguém igualzinho a ele e o ciclo continua...

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