quarta-feira, novembro 17, 2010

A PSICOGRAFIA E O TELEFONE SEM FIO

Fulano diz remédio, Sicrano entende Genésio, você compreende outra coisa, eu mesmo ouvi moça; já, ele, entendeu força! Telefone sem fio: todo mundo segue nessa brincadeira, dizendo o que não ouviu, repassando adiante o que mal escutou.

Como assim você nunca brincou disso? Todo mundo brinca! Se não agora, brincou na infância, ou inconscientemente nas cirandas do repassar a mensagem que lhe disseram em algum lugar lá distante e você acreditou, repassou e outro fez o mesmo, sem se dar conta, que a comunicação falada passa sempre pelo filtro de quem a recebe, a interpreta e reconta, por vezes adultera, pois quem conta sempre aumenta um conto; e nem te conto que boa parte das minhas lembranças são coisas inventadas, ou mensagens passadas por outras pessoas, que nem sei bem se repassaram algo ou simplesmente criaram; daí a minha desconfiança das mensagens psicografadas.

Se já é difícil repassar a mensagem de quem está vivo, imagina ouvir e decodificar o que se fala do outro lado de lá; da terceira margem do rio, onde contava Guimarães e o Meu Tio Joca: " Ora, lá é um lugar que nem se fala, nem se fala".

Se lá não se fala, como é que há vivos que escutam o que dizem os que moram além da morte? Digo isso, pois meu tio, um dia, disse algo que fez, pra mim, todo o sentido:

" Não acredito que falemos português do lado de lá. Digo isso, pois em corpo, precisamos da garganta para nos comunicar, mas quando morremos, a garganta fica no corpo, não é mesmo, menino?"

Eu só pude responder: " sei lá!"

" Deve haver algum outro tipo de comunicação. - ele continuou - Só assim, para explicar como é recebido no astral o brasileiro ou o índio, o espanhol ou o mongol. Não é mesmo, menino?"

" sei lá, sei lá"

Porém, devo confessar que sempre pensei nisso, toda vez que alguém me dizia que psicografava mensagens dos parentes mortos de quem a eles pedia, um sinal, uma carta, algumas palavras que pudesse demonstrar, provar que o amado falecido continuava vivo e bem.

Lá pelas tantas da minha caminhada espiritual, plantei e semeei uma certa certeza que essas coisas do astral são mesmo reais; aprendi sobre corpo astral, perispírito; sei que as mensagens que sopram de lá são coisas sérias, e que elas vem em bloco, sobrando para o médium a função de fazer o download, traduzir, interpretar e repassar a mensagem. Em outras palavras, vem a idéia, mas as palavras são de quem as recebe; daí a minha pulga dançante atrás da moleira, pois assim, como a mensagem entre vivos pode ser uma brincadeira de telefone sem fio, quem diz ouvir o povo do astral pode sempre escutar algo e reproduzir esse algo distorcido.

Eu, tradutor do inglês para o português, sei o quanto é impossível traduzir palavra por palavra; não dá tempo, não faz sentido, daí a importância de um bom ouvido e de repassar somente o contexto. Por isso, toma a minha palavra quando eu digo: quem me garante que essas mensagens recebidas pelos médiuns, são mesmo idênticas ao conteúdo do que foi passado?

O que salva e preserva a minha fé na psicografia é que, volta e meia, e meia-volta, surge um profissional da comunicação extra-fisíca, um tradutor do astral que consegue captar e psicografar uma mensagem do lado de lá, sem deturpação, sem acrescentar a sua própria opinião, crença, achismo no meio da escrita ou da fala. Esses bons médiuns são poucos, a grande maioria nem está na mídia, nem muito menos vende best-seller espírita, mas são pessoas que aprenderam algo que os distingue dos outros médiuns de meio-ouvido; eles aprenderam a escutar, não somente espíritos, mas principalmente, quem está aqui e está vivo.

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