terça-feira, novembro 23, 2010

MALDIÇÃO NO CAFÉ DA MANHÃ

Não lembro a primeira vez em que me chamaram de idiota, nem mesmo quando xingaram a minha mãe de batuta pela segunda vez, contudo, acho que jamais esquecerei, que hoje, fui chamado de monstro.

A palavra "monstro" possui vários significados: essa palavra não dói tanto para quem a escuta, se ela for empregada para significar o desempenho sexual de alguém, " você é um monstro na cama!" ou mesmo para designar alguém cuja aparência assim não é um Gianecchini, porém, como qualquer outra palavra, dependendo da forma como é dita, como é articulada, pode acabar com o dia de um vivente.

Estava eu no McDonald´s tomando um cappuccino, quando essa senhora pedinte se aproximou e me pediu dinheiro...



Sou vacinado contra pedinte. Desculpem-me os corações solidários com a "Indústria da Miséria", mas não sou convencido fácil a abrir a minha algibeira e dar as minhas moedas. Sim, há casos em que meu coração salta o bolso, como no menino que esses dias pedia R$ 17,50 para não apanhar da mãe; porém, confesso que me vira o estômago, toda vez, que vejo pedinte com crianças de colo, ou aqueles pedintes profissionais que entram no trem ou ônibus, ou nos alcançam nos fárois, com caras e bocas de gente, cuja miséria, eles fazem crer que é culpa sua. Geralmente ignoro, finjo que não é comigo. Aprendi que se não quero contribuir, ao menos, fico calado para não seguir julgando.

- Moço, me paga um lanche?

Silêncio

- Moço, por favor, um lanche!

Silêncio

- Moço, não vai me pagar nem uma batata?

- Não! - respondi. Cometendo o erro de não ficar calado, o que desencandeou na mulher uma revolta.

- Não se nega comida nem a um cachorro, moço!

- Eu tenho o direito de dizer não, moça! - respondi. O que tornou a coisa pior. A mulher passou a resmungar contra a minha alma. Jogando mil vibrações em minha direção. Não bastasse ter me escolhido como bode cuspitório de suas mazelas, ela olhou nos meus olhos e disse:

- Seu Monstro! - ela falou e tenho que admitir que aquilo pesou, ainda mais quando ela falou: - Um dia você vai ficar assim como eu e ninguém vai te ajudar!

Era só o que faltava, receber uma maldição no café da manhã. Cadê o segurança? O que eu faço? O que eu digo?

- O mesmo para a senhora!- respondi e ela foi embora encomendando a minha alma aos seus demônios.

O que se faz nesses momentos? Nos benzemos? Corremos para uma igreja e pedimos perdão por termos sido sovinas e não ter compartilhado o nosso Big Mac...quero dizer, o pão? ou continuamos com as nossas vidas, sabendo que nem sempre agradaremos a todos, principalmente quem faz da miséria o seu ganha-leite?

Sei lá, na dúvida, preferi fazer uma crônica!

Um comentário:

K disse...

http://kawen.amplify.com/2010/11/24/sou-vacinado-contra-pedinte-desculpem-me-os-coracoes-solidarios-com-a-industria-da-miseria/

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