quarta-feira, novembro 24, 2010

E Se Tudo o que Eu Acredito Não for Real

Denise não entendia porque João tinha tanta certeza e confiança nesse tal mundo espiritual. Ela não entendia como alguém tão sensato e inteligente como seu amigo poderia acreditar nessas bobagens místicas que pipocam por aí.

- João, vamos lá. Você realmente acredita nessas bobagens que você lê tanto? Esse negócio de viagem astral, aura, chacras e espiríto para mim é pura piração.

- Eu já te falei que eu não acredito, Denise, eu tenho certeza!

- Tá bom! Mas e se você descobrisse que tudo o que você acredita, quero dizer, tem certeza... é uma furada? Sei lá, e se os cientistas finalmente descobrissem que Deus não existe coisa alguma e todos esses mestres e gurus são uns alienados pregando ilusão coletiva, como você reagiria?

- Eu não sei por que você vive tentando me convencer das suas incertezas. Não posso e nem quero te convencer de nada que sinto, mas se eu descobrisse que tudo o que aprendi e experimentei foi pura imaginação, crença ou sugestão mental, eu continuaria tentando ser uma pessoa melhor a cada dia e tratando os outros como eu gostaria de ser tratado. Nunca acreditei em Deus em troca de um lugarzinho no céu e mesmo se descobrisse que não há nada depois da morte, não diminuiria em nada a minha vontade de crescer e aprender. Mesmo se Deus não existisse, é inégavel que o fato de estarmos aqui vivos é um grande milagre da vida, e por isso, somente por isso, já temos motivos suficiente para seguirmos em frente com um sorriso no rosto constantemente.

Um comentário:

Perséphone disse...

Olá,
que belo texto.

João pode acrescentar argumentos que coloca a ciência, produção humana em seu devido lugar.

Por exemplo, a ciência hoje adimite que nem tudo é mensurável, ou que há muito mais que desconhecemos e que nossos olhos nao podem ver.
Ou os métodos científicos ainda não se atentataram para infinida condição humana. Por tanto, João pode considerar que ao invés de acreditar num Deus externo, que presenteia e pune, em que somos este Deus por guardamos em nós a unica possibilidade de reconhecer em nós algo superior que sirva de referencia para o que sentimos. Desta forma, dentre nós há aqueles que sentem, que intuem, que estabelecem diálogos eloquências com outras esferas da condição humana que não, unicamente, com nossas esferas coletivas e paupáveis, separadas do self, separados por classes ou o que quer que nos julgue.

A postura de João nos faz erguer um altar para a capacidade humana de captar a possibilidade de parte de um todo. Enquanto parte, que seja hamônica, amorosa, cooperativa com estágios que superamos em prol de algo que sentimos ser superior. Algo que nos referencie como seres que se separam de uma coletividade, sem que para isto percamos a subjetividade. João, compreende que somos únicos por meio deste caminhar e que faz disto sua empreitada.
João, seus diálogos traçam subjetividades num mundo dito contemporâneo, contrários a mundos de valores moderno que fragmentam, simplificam que pelo visto nem sempre nos oferece dimenSões interligadas, complexas entre si e conflitantes em um unico ponto. OBRIGADA.

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