quarta-feira, novembro 10, 2010

CHAMAR A SUA ATENÇÃO

O pôr-do-sol escorrega pela janela...

Vejo tudo com o rabo do olho, pois, sentado na sala, assisto a um programa desses que esquecemos facilmente, mas parece ser tão interessante, naquela hora, que nada mais no mundo importa, e tudo fica distante, ainda mais o sol se pondo, na janela do quarto, coisa que acontece todo dia, e não deveria ser coisa que valha a pena, mas o rabo do olho, a quina da visão, tenta me direcionar para as cores que o sol, lá longe, além da janela, no horizonte, pinta o céu. Assisto o programa, mas ao mesmo tempo, noto o tom alaranjado-vermelho, com pitadas de rosa, que o sol vai usando para transformar o céu em tela nessa aquarela diária que ninguém gasta tempo para ver, notar ou escrever a respeito.

Ainda insisto na TV, mas o espetáculo lá fora, parece muito mais interessante. Então, saio do sofá, caminho até o quarto, e olho além da janela, as cores mudando, o céu que parece estar falando: "olha pra mim!" Olho! Olhos! Já não vejo um céu, vejo um show de luzes, Cirque du Soleil da natureza, com toda a sua grandeza e beleza, que me deixa com o queixo caído.

Tento ligar para a Auri e perguntar : "você está vendo isso?". Ela não atende, vai ver nem entende o que eu quero que ela veja, sinta, perceba. Daí, compreendo que essas belezas, às vezes, são momentos em que sozinho nos encontramos com o Divino, que se faz matéria, cor no céu, pôr-do-sol na janela só para conversar com você.

Totalmente absorvido por aquele fascínio pelo infinito, entro numa espécie de transe, que resulta em pura epifania, e sou inundado de insights, idéias malucas e criativas, poemas dos mais diversos, crônicas sobre estrelas brilhando que resultam em vida na Terra, em outros planetas; daí, ouço um sussuro, se fazendo voz, dentro de mim, ecoando do meu peito, dizendo:

" O que preciso fazer para chamar a sua atenção?"

- Mais nada, Senhor - respondo. Sim, eu vejo, eu sinto, eu sei que há milagres que ocorrem todos os dias e que não vemos. Que o Divino se esconde no comum, nas coisas que não damos importância, mas basta um momento de atenção, e saberemos que nunca estivemos sozinhos, nunca estamos sozinhos.

Um comentário:

Anônimo disse...

Que engraçado termos visto o mesmo fenomeno e termos pensado em compartilhar um com o outro. Na dúvida não te liguei por achar que apenas parte do ceu estivesse daquele jeito e que voce nem fosse ver o que eu via ali...que bom Deus fez as cores invadir a nossa casa e te acordar pra ver o espetáculo de encontro. Beijo lindo!
Auri

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