quarta-feira, outubro 13, 2010

VIADUTO DO RIO VERMELHO

A inspiração atacou-me no meio do Viaduto do Chá, quando eu vinha indo, com pressa de não parar; veio caindo em gotas de insights, pedindo que eu abrisse meu caderninho e a deixasse se manifestar; mas quem é louco para parar no meio do Viaduto do Chá para dar pena à inspiração?

Tem Frank pra tudo!

Tentei seguir o meu caminho, tirar o Frank disso, afinal, quem já viu escritor de caderninho aberto no centro de São Paulo escrevendo os seus insights? Francamente, quis enviar a inspiração para algum lugar distante, mas dei-me conta que se não desse passagem a ela, poderia perder a chance de escrever um best-seller, ou ao menos, uma dessas crônica que já vem pronta da fábrica só para o leitor degustar.

Então, engolindo o senso do ridículo, abri o caderninho e dei mente e coração para a Musa falar e começou a brotar na minha cabeça um texto tão clarinho quanto o céu de Dezembro, tão profundo como o Rio Danúbio, e em meio a essa corrente de palavras bem contadas, a mensagem que me vi escrevendo transformou-se em poesia musicada, e a dancei feito valsa com a Musa da Criatividade, numa melodia que lembrava Viena e parecia Budapeste, que lembrava Strauss, mas parecia Bartok; e ao final da dança, preparei a minha pena vermelha e ao primeiro pingo de tinta em palavras, a caneta explodiu em vermelho, poluindo as folhas do meu caderninho, matando a minha crônica tão musical, tão bonita; e ao invés das águas cristalinas da fonte da inspiração, tudo vermelhou, e o sangue jorrou, fazendo com que eu escrevesse essa crônica meio crítica, que só saberá do que eu estou falando, quem conseguir ler nas entrelinhas... Sobre o desastre da Hungria:
http://www1.folha.uol.com.br/mundo/811624-vazamento-toxico-e-um-desastre-sem-precedentes-na-hungria-diz-premie.shtml

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