domingo, outubro 17, 2010

TEACHERS DON´T CRY

- Excelência! - disse ela - Eu só posso pensar nessa palavra para descrever a maneira como o senhor ensina.

Professores não choram! Professores não choram!

Outro sábado, mais uma aula. Poderia estar dormindo, descansando, mas essas meninas valem a pena, o esforço...que esforço? Nenhuma pena! Amo o que eu faço, adoro a idéia de poder contribuir para o conhecimento dessas pessoas. Cada sábado é uma festa.

Enquanto sigo explicando as novas palavras, mostrando como a gramática servirá para a construção da comunicação em seus trabalhos, chamando a atenção para a importância de aprender uma segunda língua; percebo os olhos de cada uma delas brilhando.

É cedo, eu sei, elas estão ainda imersas em sono, eu tenho ciência; mas pouco a pouco, elas vão se interessando, ouvindo, processando, anotando, aprendendo e gostando. Trinta minutos depois, ninguém mais se lembra que é sábado, o que é sono, só o que é ensino.

Uma delas, muito querida, certa vez, confessou-me no final de uma aula:

" Teacher, devo admitir o quanto aprender essa língua é difícil para mim, porém, queria te dizer que já aprendi algo bem importante com o senhor: aprendi a gostar de estudar inglês."

Professores não choram! Professores não choram!

A aula de sábado continua. Em certos momentos, muitas delas se mostram confusas, balançam a cabeça dizendo que entenderam sim, mas seus olhares dizem que entenderam não; explico de novo, explicaria mil vezes, um milhão; até ter certeza que elas compreendem, que assimilaram, que não voltarão para casa do mesmo jeito que na classe chegaram. E quase sempre, percebo, no final da aula, que elas estão diferentes, mais confiantes, crentes que conseguirão falar inglês, talvez não tão cedo quanto a ansiedade delas deseja, talvez não tão tarde quanto as tentativas frustradas de outrora as fizeram acreditar; no tempo certo, no ritmo adequado, o aprendizado será afetivado, naturalmente, como qualquer outra habilidade aprendida.

Mônica levanta a mão direita, quer falar, pede licença, e diz que tem algo a dizer que não pode esperar:

" Algo aconteceu aqui na classe, e eu vou pedir para a Rô falar a respeito."

Alco ocorreu? A Rô vai falar? Como assim?

" Acho que me escolheram porque quase nunca falo - disse ela - e sou tímida e calada, mas vou tentar mesmo assim, meio que de improviso, meio que sem saber ao certo como colocar isso em um discurso, mas teacher, se eu pudesse escolher uma palavra para representar a sua maneira de ensinar, ela seria: Excelência! Eu só posso pensar nessa palavra para descrever a maneira como o senhor ensina."

Professores não choram! Professores não choram!

Elas me entregam, então, seus presentes, cartão, sorrisos, olhares de admiração, e tento agradecer, mas o que dizer? O que dizer? Eu que sou sempre cheio de palavras, fico mudo, diante daquela cena; e a homenagem não para ali, elas me conduzem da classe para outra sala, onde duas outras surpresas me esperam: a primeira, a festa! Sala toda enfeitada, no telão, passa um clipe da canção " To Sir, with love" da Lulu, do filme de mesmo nome de 67 com Sindney Potier, bolo gigante, refrigerante, suco, salgadinhos e "what a surprise" piscando em minha testa; e a segunda supresa, alguém anuncia:

" Todas nós sabemos, que por trás de um grande homem, sempre tem uma ..."

A porta se abre, surge Auri, minha esposa e musa, recebida com palmas, passa por mim sorrindo, com um poema na mão e recita:

"AO QUERIDO MESTRE

Menino Viajante,
Que vigia as letras da alma!
Alma repleta de pureza e alegria
Donte passa sua energia espalha;

Menino de música presente no ar
Donte vai, leva harmonia nas palavras,
Cada frase é dita com sabedoria,
É Guerreiro munido com a sua espada;

Menino das Letras e do Ensino,
Com dedicação sempre contou,
Fez da sua arte o seu caminho,
Esse era mesmo o seu destino
Mestre, amigo, professor
!"


Professores não choravam, agora choram...

Glee version of the song " To Sir with love"



Original version by Lulu


The lyrics:
To Sir With Love

Those school girl days
of telling tales
and biting nails are gone
But in my mind
I know they will still live on and on
But how do you thank someone
who has taken you from crayons to perfume
It isn't easy, but I'll try


If you wanted the sky
I'd write across the sky
in letters that would soar
a thousand feet high
To Sir, with love


The time has come
for closing books
and long last looks must end
And as I leave
I know that I am leaving my best friend
A friend who taught me right from wrong
and weak from strong
that's a lot to learn
What, what can I give you in return?


If you wanted the moon I'd try to make a stars
but I would rather you let me give my heart
To Sir, with love



Ao Mestre Com Carinho


Aqueles dias de estudante
De contar mentiras,
e roer unhas se foram
Mas, em minha mente
Sei que sempre, sobreviverão
Mas como agradecer alguém
Que te fez "crescer como gente"
Não é fácil mas vou tentar


Se você quisesse o céu eu escreveria nele com as estrelas
A mil pés de altura
Ao mestre, com carinho


Chegou a hora
De fechar os livros...
enquanto longos e últimos olhares permanecerem
E enquanto eu os deixo
Eu saberei que estou deixando meu melhor amigo
Um amigo, que me mostrou o certo e o errado
O fraco e o forte
Isso é tão difícil de aprender
O que? o que posso eu lhe dar em troca?


Se você quisesse a lua eu tentaria fazer um começo
Mas eu, dou toda a segurança do meu coração
Ao Mestre, com carinho

Um comentário:

Luiza disse...

Lindooooo!

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