domingo, setembro 05, 2010

A Diferença entre Filme-Arte e Dr. Dolittle

A Diferença entre Filme-Arte e Dr. Dolittle

Bom dia, Kids! Vamos falar um pouco sobre cinema de novo? Estou devendo desde o início desse blog um post sobre o meu cineasta preferido. Sem mais mistérios, vamos a ele.

Não se deixem enganar, esse senhor de meia-idade é um gênio e um louco ( imagem).

David Lynch é, talvez, um dos diretores contemporâneos mais importantes. Nascido em Missoula, Montana, em 20 de Janeiro de 1946. Seus estilos de filmagem e de construção narrativa são únicos, sendo fáceis de identificar e muito difíceis de reproduzir. Seus filmes têm um ar de mistério, de um tipo realista e subconsciente de magia. David Lynch sabe fazer um filme para ser interpretado, e não apenas assistido. Lynch sabe inserir na cabeça do espectador dúvidas que nunca sairão de lá, por mais que você reassista, reinterprete, repense… Sempre haverá uma ponta solta, ou uma outra possibilidade ainda não analisada.

O filme Inteligência Artificial, de Spielberg (Baseado num livro de Brian Aldiss) termina mencionando “Aquele local onde os sonhos nascem”. David Lynch conhece este local. Segundo o cineasta, que é adepto da meditação transcendental, as ideias são como peixes num grande lago, que seria o “eu”. Ao buscar ideias para um processo criativo, você pode se ater à margem, onde ficam as ideias pequenas, ou você poderia procurar pelos peixes grandes, pelas ideias que realmente valem à pena. Para tal, Lynch sugere que você “mergulhe profundamente”. Pelo menos é o que ele diz em seu livro “Catching The Big Fish” (“Em Águas Profundas”, lançado no Brasil pela editora Gryphus), sobre criatividade e meditação. Mas ao ver os filmes de David Lynch você vê que ele embarcou num submarino para dentro da mente humana.

Não vou comentar a filmografia dele filme a filme. Vou comentar os elementos principais. A começar pelos jogos com o psicológico. Um filme do Lynch é quase sempre como assistir ao sonho de alguém. Todas aquelas seqüências de sonhos que expressam alguma coisa, mas não se definem muito bem como algo com sentido estão presentes em seus filmes. É assim desde Eraserhead até o mais recente trabalho do diretor, Império dos Sonhos. Além disso, David Lynch costuma colocar elementos como luzes piscando, cortinas vermelhas, alterações de personalidade, personagens diferentes interpretados pelo mesmo ator, closes em rostos, experimentação com sons, utilização de músicas antigas… São tantas as marcas Lynchianas que fica até difícil colocá-las todas aqui.

Lynch é extremamente cultuado e influenciou mesmo uma de suas influências, Stanley Kubric, que utilizou como inspiração para o clássico The Shining (“O Iluminado”) o filme Eraserhead, uma vez que os dois tratam sobre a loucura que vem com o isolamento. Eraserhead, aliás, que demorou cinco anos para ser finalizado por questões de orçamento, mas que foi responsável por grande parte da fama inicial do diretor, chamando a atenção de Mel Brooks, que convidou o diretor para realizar a obra que realmente o consagrou como diretor, O Homem Elefante.

Responsável também por Twin Peaks, de 1990, a primeira série a se tornar um fenômeno cultural (muito antes de existir a internet como a conhecemos). Os outros trabalhos do diretor não são tão conhecidos como os citados, mas, se querem uma dica, comecem a assistir Lynch através da série Twin Peaks. Depois peguem o filme de Twin Peaks. Se você aguentou as loucuras de Twin Peaks, sinta-se livre para assistir Mulholland Drive (“Cidade dos Sonhos”) e, a partir daí, qualquer coisa de Lynch que você quiser. Espero que pelo menos um de vocês perceba o quanto os filmes de David Lynch são uma arte, que eles se entranhem na mente de vocês e nunca mais saiam, porque é com David Lynch que você descobre a diferença entre um filme arte e Dr. Dolittle.

See you around, Kids!

Fonte: http://oeditorial.com.br/editoriais/ampulheta-eletrica/a-diferenca-entre-filme-arte-e-dr-dolittle/

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