terça-feira, setembro 14, 2010

AS PEQUENAS CORRUPÇÕES DO DIA-A-DIA

Os escândalos de nossos representantes em Brasília ou no Amapá são muito feios, pois ocorre com o povo de lá, o povo alheio, porém, o que todo mundo esquece é que o download de uma canção, um pão a mais no saco, a nota de dez na mão que facilita a entrada ou a saída de uma confusão, alguém segurando a fila do supermercado enquanto a outra pessoa enche o carrinho, o CD pirata nas mãos das crianças, tudo farinha no mesmo saco das corrupções do dia-a-dia que fazem bem ao corpo, ao bolso, mas deixam cicatrizes na alma.

O passaporte europeu comprado, o visto manipulado, Tijuana, Porto da França, estreito do Gibraltar, o coyote e o cerrado, brasileiro em busca de um sonho de dinheiro – com muito trabalho e um tanto de documento falso – tanto energia e esforço empregados – e o sonho de uma vida termina num massacre mal explicado num metrô em Londres, no meio do mato mexicano, sonhos tantos fuzilados em nome de um dinheiro “suado” que já começou errado.

Começou errado, mas ainda há tempo de fazer direito. Sempre temos a escolha de viver pelo certeiro, e desprovar o que ficou errado. Sempre teremos a escolha de viver pelo que é de bem, e vencer com suor, com o trabalho, essa herança maldita cultural de sempre dar um jeito, de sempre sair ganhando, como se não tivéssemos oportunidade de fazer de outro jeito.


Cada um com a sua cruz, sofrimento nunca é desculpa para desonestidade, nunca foi desculpa para fugir da luz; ser um ser humano decente é o mínimo que deveríamos almejar na vida, que sim, é uma soma de tristezas e alegrias, mas é bonita, é bonita, canta Gonzaguinha: é bonita!


Pobres são os políticos crucificados, que não passam de reflexo do que há de melhor e pior no nosso povo; representantes miseráveis da nossa gente que justifica os caixas-dois e três da mesma forma como justificamos as nossas corrupções do dia-a-dia, nessa onda coletiva do mar do todo mundo faz e só otário deixa passar a oportunidade do sempre um pouco mais; e assim caminha a humanidade, cada vez mais perdida na insanidade de comer eternamente o fruto proibido da ignorância de quem somos de verdade.

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