terça-feira, agosto 17, 2010

TOO HOT

Tenho alguns casais de amigos que brigam o tempo inteiro. Numa crônica anterior, discursei sobre as "pequenas brigas" do dia-a-dia que fazem parte da rotina de qualquer casal, aquelas briguinhas que não envolvem violência, mas são pequenos desentendimentos que acabam provocando no casal, uma ponderação acerca dos rumos do relacionamento. Porém, se esses pequenos atritos são até de certa forma saúdavel para o casal, há outros casos, cujo casais, no entanto, extrapolam essas pequenas brigas, e passam boa parte do tempo, atacando um ao outro, muitas vezes, na frente dos amigos, constrangendo quem está ao lado, quem nem pediu para estar envolvido.

"Em briga de casal amigo, a nossa opinião vale menos que um penico", diz a minha vó, e com razão, afinal, nas discussões desses casais que não percebem o ridículo de expor o seu íntimo para o coletivo e ainda possuem a pachorra de pedir aos amigos, familiares e conhecidos para tomarem um lado. Daí, no dia seguinte, quando os pombinhos se reconciliam, quem fica mal é o amigo que não percebeu que deveria ter entrado mudo e saído calado da discussão que presenciou por acaso.

O pior é que muitos desses casais são viciados em briga, acreditam que um relacionamento tranquilo e estável é muito chato, sem graça e usam essas brigas como combustível para sentir emoções fortes que possam reacender a paixão que já não há entre eles.

De acordo com a psicóloga Eda Fagundes, quase todo mundo já experimentou o gosto sedutor do brigar e fazer as pazes, o problema é quando isso se torna o padrão do relacionamento, gerando sofrimento e as pessoas não conseguem sair desse túnel. A Dra. Eda Fernandes afirma:

"Esses casais geralmente vivem uma “relação gangorra”. Para que um se sinta seguro e pouco ameaçado o outro precisa estar inseguro e vulnerável. Há inúmeras maneiras de manipular essa situação. Às vezes o mais inseguro, temeroso de transparecer sua vulnerabilidade, adota postura oposta. O parceiro/a se sente um pouco desprezado, com a impressão de que é pouco importante. Passa então a fazer contato com a rejeição e o medo de perda, fica ansioso/a, passa a ter atitudes controladoras. O que “está por cima” naquele momento, no caso o verdadeiro inseguro, cria um sistema onde sua sensação de confiança e segurança vem da fragilidade do seu parceiro/a. Esse quadro se inverte, a gangorra muda de posição cada vez que o que está “por baixo” consegue sair da fragilidade e se apossar de sua dignidade. Encontrar o equilíbrio da gangorra é que é o desafio. Esta situação descrita é mais comum do que se pensa e gera uma relação onde amor se confunde com medo, onde paz se confunde com tédio e onde respeito e harmonia se confundem com fraqueza e monotonia.

Talvez precisem muito de doses fortes de adrenalina para se sentirem vivos e pulsantes. Não seria melhor aderir aos esportes radicais?"

Se você, por algum caso, algum dia se ver envolvido nessas brigas, não pense duas vezes e deixe o casal brigando sozinho...


Fonte de pesquisa: http://metadeideal.uol.com.br

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