sexta-feira, agosto 13, 2010

SEM TATO

Ela parou à minha frente, esperando tato.
Vestia preto noite, cabelos rios,
quase não tinha queijo,
os seus lábios prometeram tesouros beijos,
ouro de papo.

Era culta, só podia,
pois olhava o que eu lia
com profundo interesse e lá fui,
eu,
por forças maiores e inferiores,
em sua direção,
antecipando o desfecho de um romance possível
com a moça de preto.

Porém, eu havia me esquecido, ela não,
pois seus olhos vagalumes que deixam rastros,
viram em minha mão esquerda
a barreira dourada
que impediria a nossa união.

- Que pena! – ela murmurou;
e eu não sabia se era da impossibilidade do nosso amor
ou da caneta preta que eu segurava na mão esquerda,
cuja tinta escreveu no livro:
se tua mulher souber, ela te capa!

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