quinta-feira, agosto 19, 2010

Casal ioiô

Casal ioiô luta contra "indo e vindo infinito"

GABRIELA BELÉM
Colaboração para a Folha de S.Paulo (*)


Num dia, tudo é "love is in the air". No outro, já não sabem se querem continuar juntos. Se tal novela faz parte da sua vida, bem-vindo ao clube dos relacionamentos ioiô, aqueles cujas indas e vindas parecem infinitas e os amados sofrem quando estão juntos e separados.

Mas, afinal, por que isso acontece? De acordo com nove especialistas ouvidos pela Folha, o motivo principal é um embate entre o medo da intimidade e do compromisso e o pavor de ficar só.

A baixa auto-estima coloca um pouco mais de brasa nessa fogueira, diz o psicanalista Jorge Forbes. Sem esperança de ter uma relação melhor, os casais se agarram à que tem, mesmo insatisfeitos. Os atritos provocam brigas e separações, mas eles não conseguem romper de uma vez por todas.

A imaturidade dos enamorados também leva ao junta-separa dos casais ioiô, opina o psiquiatra Marco Antônio Spinelli. Nessa arena, entram em jogo uma intolerância à frustração e uma falta de capacidade de se manter num projeto amoroso.

Questões culturais e sociais também atrapalham na hora de dizer "até que a morte nos separe". "Hoje em dia é difícil firmar um compromisso de namoro, imagine um casamento! As pessoas preferem ficar numa fase mais 'peterpânica' da vida. Existe também um mito da felicidade, no qual todo mundo precisa estar no padrão Walt Disney", afirma Spinelli.

"Sobreviventes" de uma fase ioiô, os noivos Francisco Maurício dos Santos, 29, e Viviane Margareth de Oliveira, 28, dizem não acreditar no amor ideal, típico dos contos de fadas. "Não sabemos como foi a história da Bela Adormecida depois do 'felizes para sempre', não é?", explica ela. Hoje eles se dizem superestáveis.

Mil coisas

Mas é a ausência de estabilidade da época atual um outro motivo que, na opinião de Spinelli, pode abalar as alianças amorosas. A impressão de haver milhares de possíveis relações através da internet causa uma sensação de perda. "Se você fica com um parceiro, parece estar abrindo mão de estar com outros 20. O casamento virou sinônimo de limitação das oportunidades sexuais", diz.

Do ponto de vista de cada indivíduo, embora não haja estudos específicos sobre o assunto, psiquiatras e psicólogos dizem que uma das razões que podem levar ao medo de intimidade é ter vivido em lares conturbados ou ter sofrido violência ou abandono na infância.

Causas à parte, a terapia é uma das formas receitadas para pôr fim ao indo e vindo infinito. A psicológa Dorit Wallach, coordenadora da clínica Prisma, diz que um terapeuta pode avaliar as dificuldades que se repetem. "Freud já dizia que o problema não é ter problemas, mas ter os mesmos problemas."

A supervisora de vendas Rita de Cássia Lopes, 27, tentou durante sete anos superar as diferenças com seu ex-namorado. De tanto brigarem pelos motivos de sempre, romperam a relação ioiô em outubro passado. "Tudo acabou por um acúmulo de problemas. Eram sempre os mesmos", diz.

Nessas horas, em que as crises se repetem, o ideal é tentar romper o círculo vicioso e construir algo novo, aconselha a coordenadora do grupo de gênero de psicoterapia do Hospital das Clínicas, Marisa Micheloti. A psicóloga e terapeutas sexual e de casais Margareth dos Reis indica o caminho: "Trabalhe uma sintonia na comunicação e procure um projeto de vida em comum".

(*) Gabriela Belém participou do 40º programa de treinamento da Folha, que foi patrocinado pela Philip Morris Brasil

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br

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