terça-feira, julho 13, 2010

A SUA ATENÇÃO

Vivo...
Pulso vida por todos os poros do meu corpo. Pura intenção da luz em mim em se realizar humano.

Estou vivo, nada de novo, sei disso, mas ando esquecido e caminho dormindo, quase entorpecido e decido acordar, para tanto, realizo um pequeno exercício de meditação dinâmica; quero estar presente, quero estar ciente do poder da minha concentração em uma só ação, no presente.

Olho para a minha mão em total atenção e percebo toda a minha consciência se movendo em concentração para esse simples gesto de olhar a minha mão. Então, desvio o olhar em direção ao mundo ao meu redor, e novamente observo que cada parte de quem eu sou me acompanha nesse gesto de observação. Sou um com o que eu observo, não estou em outro lugar, estou aqui mesmo.

Vivo, sinto que todo o meu ser pulsa em direção dessa minha intenção. Sei que quanto mais atento estou, mas presto atenção ao que gira ao meu redor e não preciso mais temer o outro, ou algo, pois sei da importância de saber quem eu sou.

Continuo em concentração, respiração profunda, desviando os pensamentos vagamundos e acalmando a ansiedade e observo a multidão, outros tantos estão dormindo, entorpecidos com a ilusão. Não sou diferente, além dessa meditação, sei que se eu não prestar atenção voltarei a caminhar adormecido em um mar de sentidos controlados por minhas emoções.

Já fui esquecido disso, hoje tento sempre me lembrar que é fácil desistir de caminhar em direção a uma atenção maior do meu ser. É muito mais cômodo mergulhar no entorpecer do não ser. Deixar para amanhã o renascer de uma consciência mais atenta, plena e segura. A luz requer esforço, a escuridão só exige o nosso conforto dentro do seu calabouço.

Quanto mais seguro estou desse exercício de atenção, mas percebo que o que era difícil vai se tornando cada vez mais confortável. Pensando nisso, noto um mendigo se aproximando ao meu lado, com a mão estendida e olhos famintos pela minha pena. Ele fala qualquer coisa, parece saudável, só não esta consciente, pelo cheiro que exala e por seu bafo, percebo que suas intenções com os meus trocados não são outras que permanecer bêbado, mesmo assim, dou o meu dinheiro, ele segue feliz com o seu objetivo, e eu fico com a minha reflexão, tento evitar o julgamento, mas sem que eu consiga evitar, sigo com ele, caminho até o bar, ele pede uma “branquinha”, o atendente evita olhar para ele, se concentra em só pegar o que lhe interessa: as moedas; o mendigo segura o copo, sorri satisfeito, e o álcool desce queimando a sua garganta e por alguns instantes, acordando todo o seu ser, que brilha radiante.

O mendigo lembra quem é e o que pode ser, o que deveria fazer, mas não fez, e o que ainda pode fazer, percebendo sua própria luz; mas isso dura apenas alguns segundos, um instante, pois a bebida pede o seu preço, e atenção dele se dissolve num esmorecimento, como se cada sentido se alongasse, dando inicio a um entorpecimento, um sentir-se satisfeito para sempre.

O mendigo então caminha, como se flutuasse, como se nada mais importasse. Seus reflexos cada vez mais lentos, sua vontade cada vez mais tomada pelo efeito da bebida que se alia ao seu desejo de não se importar em construir, em pertencer, em amar e trabalhar para merecer; e em nome de uma falsa liberdade, ele toma novamente a decisão de permanecer " livre" e não precisar pertencer a sociedade, a uma família, e nisso, ele se entrega a vultos coletivos que devoram a sua consciência, lhe cobrando uma obediência que ele confunde como sendo apenas uma decisão do seu livre ser; e tomado pela bebida, já sem conseguir permanecer em pé, ele não sente condições de nada mais a fazer do que se escorar na parede de uma escola, onde vai perdendo os sentidos lentamente e caindo no sono calabouço onde não se descansa, e enquanto isso, da escola, sai um grupo de crianças, correndo e brincando, em atenção plena, cientes de que precisam apenas viver e crescer.

Volto a mim, e um insight vai tomando conta do meu exercício de observação; e algo em mim me conta que viver é um exercício de atenção constante, e morrer é apenas a nossa atenção se dissipando, se ausentando, perdendo o foco, até que nada resta além de um corpo escuro,vazio, um ser...
Morto.

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