segunda-feira, julho 26, 2010

ESPELHO VIRADO

Quando meu pai morreu, viraram o espelho grande da sala contra a parede. Curioso, eu observei, que a melhor explicação para aquilo era a crença dos meus avós em espíritos, e foi nesse dia, que eu aprendi que eu era feito de corpo e alma, e um deles dava medo as pessoas que diziam que em casa de finado, deve-se evitar os espelhos, pois diziam os mais velhos, refletia a imagem do defundo, que ficava perambulando pela casa até o enterro.

Eu, moleque teimoso, por certo, não temeroso de ver o meu velho de novo, esperei até a hora em que todo aquele povo fosse embora, para curiar no espelho e quando só havia o caixão e o velho Tio Bastião vigiando o corpo, virei o espelho e para o meu desapontamento, tudo o que vi, foi a mim mesmo.

- Povo bobo! – falei – Acredita em tudo – daí, virei-me pro tio Bastião para contar que aquilo tudo era bobagem, e levei um susto, quando vi que o caixão que ele vigiava não era o do meu pai, mas um caixão bem menor, do meu tamanho...

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