terça-feira, junho 22, 2010

O MESMO

Eu conhecia aquele sujeito cochilando à minha frente. Ele deveria estar muito cansado, só assim para conseguir dormir com o todo aquele sacolejo e zigue-zague do ônibus.

De onde eu estava, conseguia observar quase todos na condução - gosto disso - fico imaginando a vida de cada pessoa que vejo, de onde vem, para onde vão e se algum dia eu os verei novamente na vida.

Aquele sujeito, porém - cabeça encostada no vidro, um livro dançando em seu colo - era tão familiar: cabelo curto, crespo e castanho, pele morena, magro e baixo, cavanhaque ralo e sombrancelha grossa. Seu nome estava na ponta da memória, quase saltando pelo pensamento e caindo na língua.

- Você conhece aquele homem? - perguntou um senhor grisalho que estava ao meu lado. Achei a pergunta estranha, mas respondi assim mesmo, surpreso por eu estar também sendo observado.

- Acho que sim! - disse a ele - Ele é ... - mas antes que eu pudesse responder o nome do sujeito, o ônibus freiou para evitar bater no carro da frente, com o impacto, bati a cabeça no vidro e acordei, para descobrir que eu estava observando a mim mesmo.

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