terça-feira, junho 15, 2010

A Felicidade Possível

João Carlos Martins ensina que a felicidade está na doação e na realização. Qualquer um pode alcançá-la



A felicidade possível

Por Fábio Santos

Na quarta-feira passada, aprendi mais uma vez que a felicidade é possível. Digo mais uma vez porque essa coisa de ser feliz parece tão difícil que é sempre preciso que alguém nos ensine que, sim, dá para alcançá-la, por mais que não se fique com ela por muito tempo.

No avião, voltando de Brasília para São Paulo, sentou-se ao meu lado o maestro e ex-pianista João Carlos Martins. Depois que tirei um breve cochilo, percebi que ele fazia movimentos com uma das mãos, como se regesse uma orquestra-fantasma. Continuei quieto.

Foi ele quem puxou papo. Perguntou o que eu fazia e se disse contente por saber que o Destak começou a circular em Brasília no dia 21/5. Depois contou-me que havia ido à capital federal para falar num evento promovido pelo senador Cristovam Buarque, que deseja incluir na Constituição o direito "à busca da felicidade". Pensei comigo mesmo: "Como um homem tão sofrido pode ter algo a ensinar sobre felicidade?".

Sem que eu precisasse vocalizar minha pergunta, ele respondeu. Antes de contar o que ouvi, vale relembrar quem é João Carlos Martins para quem não viu seu depoimento no fim da novela Viver a Vida. Aos oito anos de idade, ele venceu um concurso ao executar uma das obras de Bach. Aos 20, estreou no lendário Carnegie Hall, em Nova York.

Ao longo dos anos, consagrou-se como um grande intérprete de Bach. Um acidente jogando futebol, porém, revirou-lhe a carreira ao tirar-lhe o movimento da mão direita. Recuperou a capacidade de tocar, mas o esforço acabou por vencer seus nervos. Depois de tentar desistir da música, voltou ao piano usando principalmente a mão esquerda. Após um concerto na Bulgária, foi agredido na cabeça num assalto e perdeu o movimento dessa mesma mão.

No meio desse caminho, Martins ainda se meteu onde não devia e enfronhou-se num escândalo de contribuições para a campanha de Paulo Maluf por meio de caixa dois. Foi inocentado pelo Supremo Tribunal Federal, mas, no ano passado, uma rebarba desse caso lhe custou uma condenação que ele ainda espera reverter. Desencantado com a política, diz que foi usado e depois abandonado.

Bem, e o que esse homem tem a ensinar sobre felicidade? Com um sorriso largo e esperança na voz, conta-me que sua maior alegria é treinar crianças da periferia e da Fundação Casa (ex-Febem) a tocar e a cantar. A resposta que Martins deu à minha pergunta é evidente: a felicidade está na doação e na realização. Qualquer um pode alcançá-la.

(Fábio Santos*
Diretor editorial (fsantos@destakjornal.com.br)


Para saber mais sobre João Carlos Martins, acesse:
http://www.joaocarlosmartins.com.br/

Nenhum comentário:

Ocorreu um erro neste gadget

AmazingCounters.com
Overtons Marine Supply