segunda-feira, junho 07, 2010

ACEITAR O QUE O TEMPO FAZ

O escritor e professor de Hatha Ioga, José Hermógenes de Andrade Filho, ensina a sabedoria da aceitação, se diz recompensado pelos 88 anos que viveu até agora e acredita que a morte é apenas um tempo de férias


O professor Hermógenes – cujo nome completo é José Hermógenes de Andrade Filho – é conhecido em todo o país e em outros lugares do mundo por divulgar e ensinar a Hatha Ioga há quase 50 anos.

Conversar com ele nos dá a nítida sensação de que a felicidade é muito simples de ser alcançada e tem a ver com a aceitação do fluxo natural da vida. O professor também nos ensina que, mais do que um acontecimento em si, a maneira como olhamos para ele é o que faz a diferença.

Como você se sente ao ver o tempo passar?
Eu respeito o tempo. O que o tempo me traz eu enfrento, e não me iludo com isso. A ioga me ensinou a não temer. Estou com 88 anos, tive várias doenças desde a infância. Depois que inseri a ioga em minha vida, as doenças começaram a vir em quantidades menos expressivas. Tenho saúde, felicidade e paz e aceito que o tempo passa. Há pouco tempo, sofri uma queda na rua e tive meu cérebro afetado, não estou tão bem quanto estava, mas assumi o que o tempo me trouxe. Se estou doente e limitado aos 88 anos, é mais do que aceitável. Sou muito feliz e quando alguém me pergunta como estou digo que só não estou melhor para não fazer inveja (risos).

O que mais a ioga te ensinou?
A ioga me ajudou a descobrir que Deus, que é a essência única de todos os indivíduos, está presente. Deus é o mesmo, independente dos nomes dados pelas religiões. Ele é o que dá a vida, a luz e a felicidade que já existe em cada um de nós. Deus é a consciência.

Você escreveu o livro “Saúde na Terceira Idade”. O número de idosos será cada vez maior no planeta e será necessário garantir uma saúde integral para eles. Quais são as suas dicas para isso?
Todas as pessoas são formadas pelo corpo, mas também pelas energias, pelas emoções e pelos pensamentos. Precisamos nos reeducar para dar atenção a todos esses componentes. A cura do corpo é muito importante, mas não é o essencial. Infelizmente, até agora, a ciência ocidental insiste em tratar o iceberg como se fosse somente a parte de cima e nega a existência de toda a parte escondida. Se tratamos só do corpo físico, não alcançamos a saúde integral, completa. A Hatha Ioga tem promovido saúde para um número imenso de pessoas, que se curam de doenças físicas, melhoram psicologicamente e evoluem espiritualmente.

Você acredita que, à medida que envelhecem, as pessoas se tornam mais próximas de seu lado espiritual?
É o que eu tenho observado. Elas se aproximam mais da essência, esse é o caminho da yoga, da sabedoria, do conhecimento, da verdade. A gente vai se afastando na estrada por onde anda, olha para os obstáculos todos e tem outra visão do mundo. Aprende a amar, perdoar, ajudar e ser feliz.

Quando você olha para a sua estrada, o que sente?
Me deixa muito feliz e recompensado. Foi tão bom! Sair da “normose”, superar a tuberculose e viver uma vida mais risonha, suave, mais luminosa...

O que você sente em relação à morte?
Estou em uma idade e com condições físicas em que posso sumir daqui a pouco, graças a Deus. A morte é um tempo de folga, de férias. Consiste em perder essa carne, esse corpo, mas, como não sou um corpo, a morte não me alcança, estou certo disso. Morte me lembra as palavras: “entregue, confie, aceite e agradeça”. É engraçado alguém com a minha idade dizer “viva a morte!” (risos). Não estou fazendo nada para morrer mais depressa, mas a morte vem trazida pelo tempo e eu a recebo, porque vem de Deus e d’Ele só vem misericórdia e graça.

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