quarta-feira, maio 05, 2010

SOMOS LUZ

O Divino escultor esculpiu nossa imagem-forma na Luz.

Sorrindo, Ele disse dentro de cada espírito:

“Você ocupará muitas formas na existência, terá vários rostos e corpos, de cores e formatos diferentes, mas a sua verdadeira face é a da Luz!”

Porém, o tempo passou, e nos identificamos com as diversas formas, não só físicas, mas, também, com aquelas mentais e emocionais.

Passamos a viver e agir nas formas, mas sem sentir o Espírito em nós. Passamos a viver de forma vazia, sem sentido e sem profundidade.

Apegamo-nos demais às formas moldadas e condensadas nas energias da natureza, e mesmo quando elas se desgastam, e o seu uso não é mais possível, ficamos meio perdidos, chorando sobre a referência externa com a qual nos identificávamos tanto.

Foi por isso que o sábio Jesus disse:

“Deixem que os mortos enterrem os seus mortos!”

O Rabi estava certo: quem anda com o espírito entorpecido nas ilusões sensoriais do mundo e acha que é só isso que existe, na verdade está morto de raciocínio, percepção e espírito. Confundir a Luz do espírito com a casca abandonada é o mesmo que confundir a roupa com quem a veste.

Se é necessário respeitar o invólucro carnal abandonado, pois era morada do espírito em ascensão, é mais necessário, ainda, respeitar o próprio espírito, essência imperecível e dotado de todos os potenciais celestes.

E nenhum espírito, em época alguma, jamais foi seguro pelo caixão ou pelo solo onde o seu corpo ficou sendo transformado em outras energias pela generosa Mãe Terra.

Aos corpos que ficam na Terra, o nosso muito obrigado, por tudo o que aprendemos por intermédio deles. Porém, somos espíritos com a face da Luz!

Somos forma e semelhança da Luz, pois não somos animais vertebrados, somos consciências imperecíveis. Somos a cara de Deus!

Não somos brancos, negros, amarelos ou vermelhos. Não somos nem mesmo terrestres, pois qualquer espírito é egresso de outros planos sutis, não-físicos.

Portanto, somos extraterrestres, pois terrestres são apenas os corpos que ocupamos temporariamente.

SOMOS LUZ!

Enquanto os “mortos enterram os seus mortos”, os espíritos continuam vivendo além... Os primeiros olham as tumbas e choram a ilusão de suas referências apenas físicas; os últimos olham para as estrelas e alçam vôo para outras paragens.

E lá em cima não há nenhum número de tumba como referência, nem esquifes enterrados para alguém se guiar na dor de sua perda ilusória. O que tem mesmo é uma infinidade de espíritos vivos, todos com a cara de Deus!

O Divino Escultor esculpiu nossa imagem-forma na Luz.

Portanto, façamos jus a essa Luz.

SEJAMOS LUZ!*

(Este texto é dedicado às pessoas que jamais desistem dos ideais sadios na existência. Mesmo cercadas por dificuldades variadas, elas persistem e confiam na própria Luz que viaja dentro de seus corações. Elas sabem que essa Luz não é deste mundo, e que só o Divino Escultor é que sabe o real valor de cada um, pois Ele conhece profundamente o mais secreto dos pensamentos dos homens e sabe quem é leal e servidor consciente dos seus magnos desígnios evolutivos.)

Paz e Luz.

- Wagner Borges – sujeito com qualidades e defeitos, igual a todos, mas que, quando se lembra de alguém que foi morar no Astral, sempre olha para cima, jamais para baixo, pois sabe que nenhum túmulo pode segurar alguém que é a cara de Deus!

- Nota:
Para enriquecer estas linhas, posto na sequência um texto - postado há alguns anos pelo site do IPPB – www.ippb.org.br -, com alguns toques a mais.

QUEM LEVA QUEM?

Muitas vezes, nós que estudamos temas espirituais e procuramos fazer algo de bom com esse estudo - em nossos pensamentos, sentimentos e energias -, costumamos dizer:

"Nós levamos a informação espiritual para os outros."

Na verdade, é a informação espiritual que nos leva; somos apenas seus canais – e, diga-se de passagem, canais imperfeitos -, expressando algumas coisas no mundo.

Expressando algo da espiritualidade e tentando crescer com valores que o mundo sequer considera - valores elevados e muitas vezes esquecidos por nós mesmos quando aprontamos alguma tolice, pois estudar temas avançados não significa que sejamos elevados -, somos levados por ela a certos momentos conscienciais interessantes e criativos.

Levamos a espiritualidade e somos levados por ela, muito mais do que imaginamos.

Quando somos levados por ela, geralmente se apresentam alguns desses estados de consciência:

- Os olhos brilham muito.

- A alegria se apresenta como estado de consciência independente dos fatores que ocorrem no momento.

- O amor possui os pensamentos e leva a altos vôos pelo céu do coração.

- A vontade de crescer aumenta o tesão de viver.

- A aura se expande muito e toca as auras de outros com toques de energia estimulante ao progresso e ao bem de todos.

- A consciência sente-se ligada a outras consciências sadias, da Terra e de outros planos de manifestação.

- Cresce a admiração por todos aqueles homens e mulheres maravilhosos que deixaram mensagens de paz e luz entre os homens.

- Também cresce a admiração por todos aqueles homens e mulheres que vivem na Terra e tentam fazer algo bom, mesmo portando defeitos e enfrentando diversas dificuldades, mas se esforçando por gerar climas melhores na existência.

- A própria imortalidade permeia a consciência e lhe dá forças para continuar caminhando e apreciando a vida, mesmo sob o impacto da perda de alguém amado. Ela sabe dentro dela mesma. Por isso, não precisa de nenhuma doutrinação espiritual para certificar-se de algo que ela sempre soube em seu coração.

- Dentro ou fora do corpo, ela é impelida a estados conscienciais sadios e é incapaz de fazer o mal para alguém. É imperfeita, pois é humana, mas não porta maldade.

Enquanto levamos a informação espiritual, também somos levados por ela. E aí, pouco importa quem leva quem, pois o importante em qualquer estudo espiritual é sempre melhorar a lucidez, ampliar o amor e ser parceiro constante da alegria.

Resumindo: levando a espiritualidade ou sendo levado por ela, o importante é ser feliz com o que se faz.


Paz e Luz.

- Wagner Borges -

- Mais uma nota:
Enquanto organizava esses textos, lembrei-me de dois belos poemas iniciáticos do mestre árabe Rumi, que cabem como uma luva nesse texto. Seguem-se os mesmos logo abaixo.


NO MEU FUNERAL

No dia em que levarem meu corpo morto

Não penses que meu coração ficará neste mundo.

Não chores por mim, nada de gritos e lamentações

- Lembra que a tristeza é mais uma cilada do demônio.


Ao ver o cortejo passar, não grites: "ele se foi!"

Para mim, será esse o momento do reencontro.

E quando me descerem ao túmulo, não digas adeus!

A sepultura é o véu diante da reunião no paraíso.


Ante a visão do corpo que desce

Pensa em minha ascensão.

Que há de errado com o declínio do sol e da lua?

O que te parece declínio, é tão somente alvorada.


E ainda que o túmulo te pareça uma prisão,

E é ele que liberta a alma:

Toda semente que penetra na terra germina.

Assim também há de crescer a semente do homem.


O balde só se enche de água

Se desce ao fundo do poço.

Por que deveria o José do espírito

Reclamar do poço em que foi atirado?


Fecha a tua boca deste lado

E abre-a mais além.

Tua canção triunfará

No alento do não-lugar.


- Rumi –

(Texto extraído do inspirado livro "Poemas Místicos", de Jalad ud-Din Rumi, maravilhoso poeta sufi – Editora Attar).



A EVOLUÇÃO DA FORMA

Toda forma que vês
Tem seu arquétipo no mundo sem-lugar.
Se a forma se desvanece, não importa,
Permanece o original.

As belas figuras que viste,
As sábias palavras que escutaste,
Não te entristeças se pereceram.


Enquanto a fonte é abundante,
O rio dá água sem cessar.
Por que te lamentas se nenhum dos dois se detém?

A alma é a fonte,
E as coisas criadas, os rios.
Enquanto a fonte jorra, correm os rios.

Tira da cabeça todo o pesar
E sorve aos borbotões a água deste rio.
Que a água não seca, ela não tem fim.

Desde que chegaste ao mundo do ser,
Uma escada foi posta diante de ti, para que escapasses.
Primeiro, foste mineral;
Depois, te tornaste planta,
E mais tarde, animal.
Como pode ser isto segredo para ti?

Finalmente foste feito homem,
Com conhecimento, razão e fé.
Contempla teu corpo - um punhado de pó -
Vê quão perfeito se tornou!

Quando tiveres cumprido tua jornada,
Decerto hás de regressar como anjo;
Depois disso, terás terminado de vez com a terra,
E tua estação há de ser o céu.

Passa de novo pela vida angelical,
Entra naquele oceano,
E que tua gota se torne mar,
Cem vezes maior que o Mar de Oman .

Abandona este filho que chamas corpo
E diz sempre "Um" com toda a alma.
Se teu corpo envelhece, que importa?
Ainda é fresca tua alma.

- Rumi -

(Texto extraído do livro "Poemas Místicos", do brilhante poeta sufi Jalal Ud-Din Rumi; Editora Attar).

Obs.: Jalal Ud-Din Rumi foi um brilhante poeta sufi que viveu no século 13, na antiga cidade persa de Balkh, onde hoje é o Afeganistão. É considerado como um dos grandes poetas místicos da antiguidade. Seus escritos exalam aquele perfume espiritual que só o coração reconhece. Para ele, Deus não era apenas o Senhor, mas “O Amado”. Ler os seus lindos poemas cheios de amor pelo Eterno é uma honra e uma inspiração.

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Se você quiser ler mais textos do Professor Wagner Borges e saber mais sobre o IPPB, acesse: www.ippb.org.br

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