quinta-feira, maio 20, 2010

PAREDES LAVADAS

Sonho já nasce estranho, mas há aqueles que vão além e parecem usar o absurdo para contar algo que não conseguimos decifrar em principio, mas vai aos poucos se revelando, no onirismo do dia-a-dia. Era um sonho bem consciente, onde eu sabia que estava dormindo e que a minha consciência se encontrava presente em algum outro canto da minha alma, e nesse sonho, meio que por intuição, eu abria uma torneira, de onde, uma mangueira saia e eu começava a lavar as paredes daquela casa, e quanto mais lavava, mais sujeira saia, e na sujeira, eu via palavras escritas, escutava frases faladas; e à medida, que as paredes eu lavava, tudo escorria para um ralo com som de descarga. Daí, quando finalmente, limpei todas as paredes, alguma voz que vinha de dentro de mim, falou:
- Essa limpeza é diária!
Quando acordei, fiquei pensando na natureza daquela limpeza e lá pelas quintas da noite, antes de dormir de novo, que me dei conta, que eu não conseguia dormir, pois muito havia o que pensar, e lembrei-me da voz do meu sonho e da mangueira, e meio que achando tudo aquilo um tanto esquisito, comecei a imaginar que limpava as paredes da minha mente, retirando todas aquelas palavras que não eram mais importantes que o meu descanso.

Todo dia é uma luta; casa hora, uma batalha; isso porque a gente somente nota o que está fora, imagina se a gente soubesse as batalhas que ocorrem dentro das dobras da nossa consciência.

É bem estranho
Quando finalmente
Conseguimos ver
Que a vida é um sonho
E por mais que se tente
Não mais perceber
A natureza se abre
Daí, você sabe,
Que nada é novo
Tudo é de novo
O que mudou
Foi o olhar
Que já não mais anda...
Onde ele está?
Voou!
Segura o que é teu
O bolso furado disse para mim: guarda o que é teu!
Não deixa fugir!
Você reclama que nada é seu
Mas deixa escapar
Bem fácil assim
Tudo o que recebeu!
Remenda o teu bolso
Tapa o buraco
Prosperidade evapora
Basta um par de mãos furadas
E cabeça oca!
Eu vou colocar em letras o que vi,
Eu vou contar
Só para ver o lápis fugir
E a palavra faltar
Essa é a minha peleja com o segredo:
Aprender a compreender
Que mesmo que eu queira
Jamais conseguirei revelar
Em crônica ou poesia
O que não se pode contar

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