quarta-feira, maio 05, 2010

OS PEIXES CAEM DO CÉU

Não sei se já escrevi sobre isso em crônica, se fiz me perdoem quem leu, se não fiz, ganha todo mundo que ler, pois estou prestes a contar esses casos da infância que esbarram no presente da gente, em lembranças que voltam com toda a força e até parece que a gente está lá, vivendo e sendo novamente criança. Certo estou que eu tinha uns cinco e pouco, quando andava com um amiguinho de nome Marquinhos, por algum lugar entre as quadras do Cruzeiro Novo, cidade satélite de Brasília; e tinha acabado de chover chuva bem vivida. Eis que Marquinho olha para o chão e encontra um peixinho dourado desses de aquário, ainda se debatendo e lutando por qualquer coisa de vida, e o moleque com um olhar de cientista, pega o peixinho na mão e depois olha para o céu ainda grávido de nuvens, e diz:

- Os peixinho realmente caem do céu, quando chove!

Diante daquele fato, e das palavras tão certezas do meu amiguinho; confesso a vocês que os professores do primário tiveram um trabalho danado para me convencer do contrário. Para mim, os peixes caiam do céu e estava acabado.

- Se fosse assim, menino, choveria baleia e tubarão também. - eles argumentavam, e mesmo sem ter Marquinhos do lado, eu respondia certeiro:

- Não sei nada sobre isso, mas o Marquinhos me falou que no Amazonas chove até peixe-piranha!

Acabei convencido que seria um pânico geral se golfinho caisse do céu; mas eu, hoje com meus trinta e meio de idade e de convencimento que peixe, na verdade, sai do mar e do rio, tive que colocar essa certeza de lado, quando no último sábado, um peixe caiu bem ao meu lado, e para acabar com o surreal que você está pensando e contar o que de real ocorreu, explico que esse peixe tinha nome, e era uma peixa, e para salvar o português, explico mais ainda, uma pisciana amiga minha apareceu numa coincidência dessas que tem cara de acaso, mas como não havia a menor chance de eu encontrar por ali, esse peixe de nome Juliana, tenho certeza que Deus a jogou do céu, só para me provar que o Marquinho tinha razão.

Somos amigos de portas e janelas do sol. Caso antigo de irmão que nasce em outras famílias. Juliana é pessoa essa de sorriso fácil e coração do tamanho do mundo, com quem volta e hora, converso sobre as nadadas emocionais de ser um pisciano, ela que também nada, compreende e no espelho que ela reflete , percebo que não sou o único no mundo a ser assim tão pisciano.

Conversamos um mar inteiro de assuntos, fluindo desde os tópicos mais banais ao rio largo dos assuntos profundos, misturando a procura do Divino com os assuntos do cotidiano. E eu que via com umas perguntas difíceis de serem respondidas e já buscava essas respostas nas estrelas ou nas letras escondidas do jornal, ouvi da minha amiga pisciana justamente o que eu queria escutar:

- Você sabe, Frank, que como todo pisciano, eu chamo fuga de liberdade; mas você já parou para pensar que ser livre não é a mesma coisa que ficar se movendo por ai à esmo. Talvez, a liberdade maior esteja com as pessoas que conseguem ser livres e voar mesmo ficando no mesmo lugar.

Sim, choveram outros tantos diálogos como esse, e conversamos tanto que o dia deu lugar á noite e quando, finalmente, nos despedimos; de tudo o que falamos, uma coisa ficou evidente: peixes caem do céu a todo instante!

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