quarta-feira, maio 26, 2010

'The End' o Final de Lost

Comentários e texto de David Garcia

Não há certeza maior na vida que sua finitude. Sejam lá quais forem os caminhos que trilhemos ao longo dessa fascinante e misteriosa jornada, são os erros e aprendizados que ajudam a dizer quem somos. Mais que isso, são os relacionamentos que construímos nessa caminhada, que ninguém consegue fazer sozinho (como pontua Christian Shephard em momento chave desse episódio), que servem como testemunho irrefutável do que fizemos e do impacto que provocamos nas vidas uns dos outros.

Ao longo desses seis anos, uma série de tv nos mostrou a história de pessoas que perdidas em suas jornadas, descobriram numa ilha remota e cheia de mistérios particulares, não o fim, mas o meio para que se encontrassem. Em Jack, Locke, Hurley, Sawyer, Kate e cia, nos vimos refletidos em suas falibilidades, tragédias e conquistas. A ilha? ‘Só’ um lugar de propriedades singulares capaz de catalisar a reunião daqueles que buscavam uma redenção que sequer admitiam procurar. Lost foi uma série sobre pessoas, mas sobretudo para pessoas. Gente como você e eu, que questiona o sentido da vida e que se emocionou com a resposta da principal pergunta levantada ao longo desse período (uma que sequer havíamos considerado no meio de tantas, diga-se): a vida como conhecemos, tão refém de nossa fragilidade física de fato acaba aqui, mas será que isso significa mesmo um fim?

O desfecho de Lost, obra que despertou em todos nós paixões variadas e distintas, veio acompanhado de um gosto agridoce. Se por um lado o ‘The End’ significou a conclusão elaborada, envolvente e emocionante da trajetória daquele grupo de pessoas que enfim pôde se encontrar num plano que não obedece as regras do espaço e do tempo, por outro significou a despedida definitiva de amigos com quem tanto aprendemos ao longo desse período e que agora só poderemos revisitar nas lembranças afetivas de vários momentos marcantes.

Nos traumas e conflitos de cada um daqueles personagens, tivemos a oportunidade de confrontar nossos temores, nossas dúvidas e principalmente nossas certezas. E mesmo que não soubessem disso, Jack e cia nunca estiveram sozinhos naquela ilha. Se torcíamos, vibrávamos e nos emocionávamos com eles e por eles, era porque enquanto espectadores, também ficamos presos em meio a situações que não se encerravam na luta por sobrevivência ou em disputas de razão x fé, destino x livre arbítrio ou bem x mal.

Nos encontros daquela realidade paralela (ela sim o próprio purgatório), os choques de consciência plena que vieram acompanhados pela paz há tanto procurada, só foram possíveis quando cada uma daquelas pessoas enxergou através do amor, os relacionamentos que construiram ou reconstruiram na ilha. Afinal, foi lá que Jin e Sun se reencontraram enquanto casal; que James ‘Sawyer’ Ford viu em Juliet (e ela nele, claro) o porto seguro que sequer sabia existir; que John Locke encontrou num milagre a auto-estima e o amor próprio há tanto perdidos, e que Jack Shephard descobriu no amor de Kate (sim, ela escolheu por ele no fim das contas) e no entendimento de que era preciso dar a própria vida para que outros tivessem uma chance, o caminho de um recomeço espiritual pleno e harmonioso.
O que ‘The End’ evidencia para nós em seu desfecho é que as dores, os sacrifícios e as mortes que aqueles personagens experimentaram na ilha ao longo dessa trajetória nunca foram em vão. O que eles viveram e sentiram foi uma passagem, um estágio de aprendizado cujas lições só seriam efetivamente compreendidas em sua plenitude num outro plano. Um no qual reconciliações ganham forma quando uma vítima perdoa seu assassino, permitindo-se seguir em frente na certeza de ter encontrado o verdadeiro sentido de ser especial e onde a palavra redenção se explica não pela chance de consertar algo, mas sim pela possibilidade de poder lembrar para seguir em frente.


Todo espetáculo tem que terminar, mas é duro ter de se despedir de artistas tão queridos e ver a cortina se fechar num último adeus sem direito a bis. Obrigado Lost por esses seis maravilhosos anos de diversão, entretenimento inteligente e sobretudo pelos muitos momentos de emoção e reflexão. A beleza de seus personagens, sua música, suas ideias e sobretudo de sua companhia me fará muita falta e será para sempre sentida, porém jamais esquecida.


I just don't want to let it go


Publicado em:
http://dudewearelost.blogspot.com/2010/05/comentarios-de-end-o-series-finale-de.html

(((())))))

Lost é, sem querer, a criação mais genial da TV
Série mudou o jeito de ver televisão


Luiz Pimentel, do R7.Texto: ..


O último episódio de Lost foi ao ar no Brasil nesta terça (25).
. E terminou a criação televisiva mais genial de todos os tempos. Veja que não coloco a qualidade do descer das cortinas (assunto mais discutido no mundo nos últimos dias) na equação. Lost é hors concours em genialidade na TV e ponto. Por caminhos tortos (como mostraram as últimas duas temporadas) ou por roteiro muito bem sustentado (primeira à quarta temporada).

Porque mudou a maneira como as pessoas se relacionam com os meios de comunicação, porque fez com que o público se tornasse cúmplice de um enredo que colocava urso polar em ilha tropical, fumaça negra contra luz do centro da Terra e viagens no tempo. E porque amarrou tudo isso com uma história (ia colocar lição, mas evitei a pieguice a tempo) de vida sob disfarce de trajetória do herói – enredo conhecido desde que o mundo zerou o cronômetro do tempo há 2010 anos.

Proposital tudo isso?

Certamente não.

Pois o criador, J.J. Abrams, deixou mais furos do que um texto na web conseguiria pontuar.

Não explicou o que eram a sequência de números da escotilha, a luz, a fumaça negra, o português que algumas pessoas falaram ao final de um ano, os Outros, o urso polar, por que três negros não estavam na Igreja no final (Walter, Michael e Ecko. Ops.), o impedimento magnético de Desmond e a ilha em si. Nem precisei me esforçar pra lembrar desses. Se (re)visse as seis temporadas novamente agora, o número alcançaria os quatro dígitos.

Só que Abrams conseguiu minimizar a importância de todos esses buracos com uma estratégia simples, mas sempre eficiente – transformou o plástico em orgânico, a ficção científica em herói. Pele vestida por Jack, que não por acaso ficou com a mocinha (Kate) no final. E só ele morreu.

Sim. Na linha cronológica onde as respostas devem estar (na que é conhecida pelo mundo real, onde nós vivemos, e não nas 17 realidades paralelas de Lost), apenas Jack morreu. Para expurgar os pecados dos imperfeitos que lhe foram mais caros desde a cena um do seriado, quando o avião da Oceanic cai na ilha.

O lugar comum é resumir que o final de Lost é a morte de todos.

Não é bem isso. Ou melhor: não é nada disso.

Como diz o pai de Jack em uma das cenas finais: “todos morrem. Uns mais cedo, outros mais tarde”. E Jack enxerga o avião consertado à base de fita adesiva (pode ser mais tosca que essa a tapadura do buraco?) deixando a ilha enquanto dá o último suspiro.

A realidade paralela da última temporada é seu (Jack) purgatório. E J.J. Abrams ignora completamente o que assistimos até o final da quarta temporada, quando dava uma solução e levantava outros dois mistérios com a promessa de que tudo se amarraria ao final.

..No caminho de todas essas transformações e mudanças de curso, conseguiu colocar palavras como spoiler e torrent em domínio popular.

Gostaria de saber qual foi a audiência mundial total (TV + web) do último episódio da série. Pois Lost obrigou um curso prático de safadeza na web a milhares (milhões?) de pessoas. Eu inclusive. Simplesmente o tempo/espaço, como prega o enredo, precisou ser ignorado – e não dava pra esperar por semanas a transmissão de um episódio que fora veiculado nos EUA. E tome torrent, legenda compatível, player para assistir.

Dizem que o episódio final teve 13,5 milhões de telespectadores em média a acompanharem ao vivo nos EUA. Quantos assistiram nas horas seguintes? A resposta deve vir na sequência da série. Pois executivos de Hollywood não permitem final com mitologia aberta à toa. Ali tudo é considerado. Previously.


http://entretenimento.r7.com/famosos-e-tv/noticias/lost-e-sem-querer-a-criacao-mais-genial-da-tv-20100525.html

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