quarta-feira, maio 19, 2010

AUTOBIOGRAFIA EM CINCO CAPÍTULOS

Por Sogyal Rinpoche -

1. Ando pela rua.
Há um buraco fundo na calçada.
Eu caio...
Estou perdido... Sem esperança.
Não é culpa minha.
Leva uma eternidade para encontrar a saída.

2. Ando pela mesma rua.
Há um buraco fundo na calçada.
Mas finjo não vê-lo.
Caio nele de novo.
Não posso acreditar que estou no mesmo lugar.
Mas não é culpa minha.
Ainda assim leva um tempão para sair.

3. Ando pela mesma rua.
Há um buraco fundo na calçada.
Vejo que ele ali está.
Ainda assim caio... É um hábito.
Meus olhos se abrem.
Sei onde estou.
É minha culpa.
Saio imediatamente.

4. Ando pela mesma rua.
Há um buraco fundo na calçada.
Dou a volta.

5. Ando por outra rua.

(Texto extraído de "O Livro Tibetano do Viver e do Morrer" – Sogyal Rinpoche – Editora Talento/Palas Athena).



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DEUS TOLERA O MAL?

- Por J. J. Benitez -

Reza a lenda que os habitantes daquele mundo, cansados de suportar tantas calamidades, decidiram celebrar uma assembléia geral. E, ao chamarem os líderes, acudiram seres de todas as raças e rincões daquele remoto lugar.
Todos se sentiam muito mal. As chuvas inundavam seus campos e aniquilavam seus habitantes. O fogo arrasava suas cidades e seus bosques. As enfermidades dizimavam a população e os inimigos caiam sobre as pessoas, semeando a morte e a destruição.
E aqueles seres, profundamente crentes, lamentavam-se nestes termos:
- Por que Deus tolera o mal? Que utilidade podem trazer-lhe tantas catástrofes e desatinos?
Ao fim de árduos debates, aquela assembléia resolveu interpelar Deus por causa da presumida injustiça.
Uma comissão de príncipes e ministros das igrejas dirigiu-se então à chamada Montanha Sagrada, onde Deus era visto com frequência.
O resto do povo, enfileirado e a uma prudente distância, seguiu seus sacerdotes .
Ao chegarem ao pico, os sumos sacerdotes viram, com efeito, a imensa figura, quase infinita, do seu Deus. E, de joelhos, formularam essas perguntas:
- Ó poderoso Deus! Dize-nos: por que consentes em tantos males? Por que envias a chuva que inunda nossas terras? Por que permites a escravidão? Por que nos atiras nas mãos de nossos inimigos?
E aquele poderoso ser parou de entoar sua flauta, dirigiu seu olhar para a longa fila de formigas, fez um sinal de desaprovação com a cabeça e comentou com suas ovelhas:
- Por que Deus tolera tanta injustiça? ... Por que nos envia a chuva e o granizo? Por que exige que trabalhemos de sol a sol, enquanto que essas só têm de estender a mão para recolher o grão?

(Texto extraído do excelente livro “A Outra Margem” – do jornalista, pesquisador e escritor espanhol J. J. Benitez – Editora Mercuryo.)

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