quinta-feira, abril 15, 2010

Na Maioria das Vezes: Não é Não!

Quando Dani sorriu para mim e disse adeus, algo no olhar dela, ou talvez na voz, despertou uma faísca em mim, uma vontade; e num ato rápido e súbito, abracei-a e lhe dei um beijo; e para a minha surpresa, ela não correspondeu; pelo contrário, se ofendeu e afastou-se de mim com uma distância no olhar de adeus: " Frank, nós somos apenas amigos!" - disse ela - " O que o fez pensar que eu queria isso?"

Não queria? Claro que queria, Dani! Ou será que eu confundi tudo?

Jamais esqueci a Dani naqueles anos adolescentes que tanto me ajudaram a tornar-me um homem mais maduro e coerente em relação a tantas amigas que tenho. Aprendi com o tempo, que uma atenção feminina a mais, um gesto de carinho ou um sorriso, não são sinais de flerte, nem convites para algo mais íntimo comigo. E esses dias, lembrei novamente disso, quando uma amiga me contou sobre uma situação parecida:

- Frank, eu apenas o tratei como amigo - disse ela - Não havia interesse da minha parte, nem segunda intenção. Como é que eu não notei que ele estava pensando isso?
Como ele não percebeu também isso?

Ele não percebeu, eu tentei explicar para ela, porque ele via outra coisa: uma leitura distorcida dos sinais de amizade que ela enviava!

Quase sempre, nós da turma masculina, confundimos amizade com interesse sexual em nossos contatos com mulheres. Em uma recente reportagem da revista Veja, lí que durante muito tempo, houve a idéia de que seria impossível a amizade entre um homem e uma mulher. E com a entrada em massa das mulheres no mercado de trabalho e o novo status adquirido com essa condição, nos anos 60, fizeram com que os dois sexos passassem a encontrar-se no escritório, nas reuniões de negócios e nas happy hours, em relações não raro pautadas pelo companheirismo. Diz o artigo que nos últimos 26 anos, a participação da mulher no mercado de trabalho cresceu cerca de 70%. Hoje, nas empresas brasileiras, há uma mulher para, em média, dois homens. O incremento dos laços profissionais e sociais entre os sexos provocou o florescimento da amizade desprovida de interesse sexual. Trata-se de uma grande conquista, sem dúvida. No entanto, esse é um terreno que continua a ser escorregadio. "Ainda que não haja desejo entre os amigos, é preciso que se tome muito cuidado para um não seduzir amorosamente o outro", diz o psicólogo Ailton Amélio da Silva, do Departamento de Psicologia Experimental da Universidade de São Paulo. O artigo termina dando algumas sugestões para que a amizade seja prevalecida, mas a verdade é que, se do lado masculino, perdemos a amizade e ficamos ofendidos com a recusa; do lado feminino, a coisa fica bem pior, pois além de perda da amizade, muitas vezes, a mulher começa a ter dúvida de como se portar diante de uma amizade com homens e muitas vezes, até a se sentir culpada e achar que provocou o incidente.

De acordo com a Doutora Nazaré Tocha, Doutorada em Psicologia Experimental pela Universidade de São Paulo, em entrevista para a revista Saber Viver, ela diz que grande parte dos sinais de flerte é lançado pelas mulheres, e isso acontece em 70% dos casos. A mulher emite-os, o homem aproxima-se e a mulher seleciona! Há uma explicação darwinista para este fato: são as fêmeas que devem atrair os machos e são elas que selecionam! Porque o custo de uma relação é muito maior para ela que pode engravidar. Já foram identificados mais de cinqüenta gestos de flerte, especialmente entre as mulheres. As que mostraram maior freqüência de sinais foram as que receberam maior número de abordagens dos homens. Embora a beleza seja relevante para um primeiro olhar , a habilidade de realizar o flerte é mais importante para atrair o parceiro masculino. Quanto aos homens, eles possuem maior dificuldade em interpretar sinais não verbais no flerte e facilmente confundem sinais de cortesia e amizade com interesse sexual. As mulheres desenvolveram melhor a capacidade de sinalizar interesse e de interpretar o interesse de parceiros.

Alguns amigos argumentam que as coisas eram mais fáceis antes, as barreiras entre amizade e flerte eram bem mais claras, e nos dias de hoje, eles não sabem mais ao certo, quando suas amigas estão brincando, sendo apenas legais ou se há algum flerte ocorrendo. Na dúvida, vale sempre, a precaução. Sim, cabe ao homem ainda a ousadia de convidar a mulher para uma dança mais íntima, porém, quando o assunto são as nossas amigas ou colegas de trabalho, precisamos, como homens, sempre lembrar que ainda confundimos circulos com quadrados, e não terminar uma relação de amizade em nome de uma cantada. Na maioria das vezes: não é não! E precisamos, em nome da conquista da amizade entre sexos opostos, aprender e praticar essa lição.

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