terça-feira, abril 06, 2010

SETE JARDINS

Uma noite dessas, quando eu pensava que estava dormindo, despertei dentro de um sonho e quando dei por mim, eu subia uma montanha mais alta que o Everest. Não pensei muito em como fui parar ali, mas já que estava naquele lugar, resolvi curtir a experiência da escalada, que vejam vocês, era bem difícil, contudo, prazerosa; pois a cada etapa conquistada, eu ganhava o direito de descansar em um oásis, bastava, repetir a palavra mágica certa, para o lugar, feito botão em rosa se abrir, e mostrar todos os seus segredos e encantos. E vocês sabem, que oásis só tem coisa boa, mas é mais comum em deserto e não em montanha, por isso, vou chamar esses oásis que descobri, de jardins, assim fica mais fácil para você visualizar esses lugares onde tanto descobri sobre mim.

No primeiro jardim, eu descobri que eu não era só feito de sonho, que eu também era feito de matéria, e essa matéria era feita com o mesmo barro da Terra, e dentro de mim, a natureza fluia com toda a sua intensidade, firmeza e suavidade.

No segundo jardim, percebi que a minha matéria poderia criar também outros jardins como aqueles em que eu entrava, e eu poderia criar até outras pessoas, que no ínicio seriam feitas de sonho, mas logo ganhariam também um corpo, bastava um tanto de criatividade, trabalho e coragem minha de subir mais um pouco.

No terceiro jardim, confesso, eu fiquei um pouco nervoso, cheguei até a perder o controle sobre as minha atitudes, mas depois entendi que era só respirar e prestar atenção na minha intenção, e eu conseguiria controlar as minhas emoções e subir mais jardins.

No quarto, entendi que para chegar ali, precisava mesmo ter passado por todos os outros jardins, pois lá, esperava por mim, uma bela beduína, que disse que cuidaria de mim, e cuidou, pois me alimentou, tratou das minhas bolhas nos pés, me deu carinho, me deu amor, e se dependesse de mim, eu ficaria ali para sempre, mas a Beduína disse assim:

" O amor quando se manifesta
em um relacionamento
não aceita preguiça,
não tolera o tédio,
exige fluência,
requer atitute;

Para ficar comigo,
você não precisa abdicar dos seus sonhos
e da sua lenda pessoal,
há uma montanha te esperando,
e eu ficarei por ti aguardando,
portanto,
não se apegue,
voe e volte para mim,
se assim lhe convier,
se assim tiver que ser
e se assim preciso for".

Observem vocês, que maravilha de jardim, e que beleza de mulher; ao invés de me pedir para ficar, ela me incentivou a seguir a minha jornada. Descobri ali, naquele lugar, que o amor de verdade liberta os homens da ignorância de permanecer sempre no mesmo jardim.

No quinto, eu aprendi a falar com as montanhas, com o vento e com o ar; e diferenciar o ouvir do escutar, pois ao longe, escutei a canção do mar, e foi essa canção que me ensinou que eu tinha que aprender, naquele jardim, a falar direitinho, para poder me comunicar corretamente, pois precisaria explicar e instruir os outros homens que queriam escalar aquela montanha também. Foi nesse jardim, que descobri que tudo o que eu estava aprendendo, aprendia para os outros e não para mim.

Quando eu cheguei no sexto jardim, eu já me achava importante, porém, por lá, ao ver tudo o que eu tinha feito e o que havia mais adiante, eu me achei o cara mais brilhante desse universo. Comecei a pensar que tudo aquilo era apenas um sonho meu, afinal, com uma inteligência fértil como a minha, eu só podia ter inventado todas aquelas maravilhas, mas quando eu olhei com mais atenção, percebendo cada detalhe, cada perfeição, o ego caiu e o coração se abriu nos olhos, mostrando que eu não era o maioral, e sim, apenas uma pequena parte de algo muito MAIOR e perfeito, e que eu precisava escalar muita montanha para conseguir criar um daqueles jardins; e foi meditando nisso que cheguei na seguinte indagação: será que todo aquele sonho não era uma forma de instrução de alguém que escalou aquela montanha primeiro e agora dividia comigo tamanha compreensão?

Bastou pensar nisso, e subi um bocadão, chegando no sétimo jardim, onde eu fiquei cara a cara com Ele, o Primeiro Montanhista, o Grande Escalador, e o velhinho me contou uma porção de coisas que eu nem consigo descrever, quanto mais contar para vocês, mas posso adiantar que o velhinho era tão poderoso que de frente era Cara, e de costa era Coroa; e acreditem, amigos! Até agora, estou em dúvida, se conversei com o Criador daquele sonho ou com a Criadora.

Só sei, que quando saí daquele último jardim, minha cabeça parecia que ia explodir com tantas pétalas de sabedoria, e bastou um passo para eu chegar no topo da montanha, mas curiosamente, vim dar aqui nessa prosa com vocês.

Será que o topo da montanha é sonhar que eu estou com vocês? Ou será que eu precisava mesmo era contar para todos, que dentro da gente, há uma montanha que aguarda o momento da nossa escalada?

Acho que preciso da ajuda de vocês para interpretar tudo isso e ajuda maior ainda para encontrar de novo aquela beduína....

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