quinta-feira, abril 22, 2010

O Djembê e a Caixa de Fosfóro

Na escola, todos os meus amiguinhos tocavam algum instrumento musical: Ricardo tocava piano, Henrique tocava flauta, Cesar aprendera guitarra; eu tinha que tocar alguma coisa. Gostava de batucar aqui e acolá; então cheguei pro meu pai e pedi:

- Pai, quero tocar um instrumento musical! Quero um tambor!

Ele riu, acendeu o cigarro, com o último palito da caixa de fósforo e me deu a caixa vazia.

- Toma! - disse ele rindo - Toca!

Até hoje não sei se o velho estava de sacanagem comigo, mas passei todo o verão tentando fazer aquela caixa de fosfóro fazer algum som, mas o máximo que eu conseguia era um "pa pa pa", até a caixa quebrar e eu ficar na lata, na tábua e depois de muita frustração, acabei deixando para lá, aquela vontade de fazer batucada.

Eu tinha 9 anos, meu pai 40. Hoje, prestes a chegar na idade que meu pai tinha quando me deu aquela caixa de fosfóro; e depois de passar a vida inteira sentindo falta da minha batucada, finalmente, comecei a tocar tambor.

Tudo começou com um tamborzinho que comprei numa feira de Embu em 2008, depois me arrisquei num atabaque em 2009, mas me faltava algo, e continuei sentindo falta do tambor perfeito, aquele que me desse o som que eu procurava, daí, conheci o Djembê em 2010 e foi amor à primeira ouvida.

Os dedos ganharam vida, os braços dançavam, enquanto as mãos deslizavam pelo couro daquele tambor africano, que parecia falar comigo, responder as minhas mãos. Tocando o Djembê parecia que eu estava possuído pela própria música que saia daquele instrumento e percebi que meu pai, afinal, não fora tão sacana assim. Pois foi com a caixa de fosfóro que comecei a minha paixão pela percussão.

Quase trinta anos depois daquele "toca a caixa de fosfóro" do meu pai; consegui finalmente encontrar o meu som. Passava por uma avenida, vindo de um aluno e indo para o outro, quando o vi numa loja de percussão, esperando por mim.

Desci do ônibus e sai correndo em sua direção. Senti que ele tinha sido feito para mim. O vendedor explicou que aquele Djembê tinha acabado de chegar e que era o único. Era pra mim! Quanto custa, vou levar, embrulha com cuidado, posso tocar no ônibus, cuidado moço do metrô, estou carregando meu grande amor, que minha esposa não escute, mas estou apaixonado e não vejo a hora de tocá-lo para valer. Quer ouvir como foi? Quer saber como eu me senti?

Tente imaginar aquele molequinho de 9 anos que eu era, recebendo um tambor do seu pai, ao invés de uma caixa de fosfóro e você descobrirá...



Isaiah Chevrier is an American born child who is living in Mali, West Africa now with his family. www.rootsyrecords.com

You can help support their life here in Africa by purchasing a calender or mouse pad with their photos here:

For all of their fans: http://www.cafepress.com/djembekids

2 comentários:

Anônimo disse...

Meu menino lindo...que bom que encontrou seu Djembe...Que voce batuque muito, toque muito, ofereça todo esse amor nas batucadas certas ou descompassadas, pois o mais importante nisso tudo é que está descobrindo que não é tão sem coordenação motora...e tá tocando bonito esse caboclinho!!!Um beijo meu lindo...Auri

André Luiz disse...

Tenho 16 anos, nunca tinha visto o djembê, até que assisti "o visitante".
Quando assisti o filme e vi mais ou menos o som que o djembê fazia, amei.
Procurei na internet tudo sobre djembê, preços, origem, história...
Então só me falta algo, ter um djembê. Pedi ao meu pai, mas ele disse que vai me dar apenas 50% do preço do djembê, entao agora estou tentando juntar os outros 50%. ^^

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