quarta-feira, abril 07, 2010

DEUS E A MÁQUINA DE CORTAR CABELO

Eu queria comprar um barbeador elétrico. Fui nas lojas convencionais, mas o preço estava acima do que eu pensava em gastar, fui na 25 de Março, mas os koreanos estavam cobrando mais caro que as Casas Bahia. Por fim, adiei a idéia de comprar o barbeador elétrico e fiquei com o convencional, mas a sorte parecia estar soprando para mim, pois, ao sair dos koreanos, dei de cara com um rapaz vendendo o barbeador que eu queria, por digamos, dez por cento do preço que pediam. Era o negócio da China, e eu comprei sem pensar duas vezes, mas foi somente quando o cara desapareceu da minha frente, que eu me dei conta que eu não tinha nem tirado o barbeador da caixa para ver. Sentindo que tinha sido enganado pelo sujeito de conversa mansa e por minha atitude de “compra logo, que é um ótimo negócio”, abri a caixa, e como era esperado, não havia lá dentro um barbeador elétrico e sim, uma máquina de cortar cabelo.

A vontade que eu tinha era de matar o sujeito só era menor que o meu desejo de suicídio por ter agido tão impulsivamente.

Voltei para casa, com aquela máquina de cortar cabelo na mão, pensando em mudar de carreira, e me tornar cabeleireiro, só para tirar algum proveito daquela situação.

Quando cheguei a portaria do meu prédio, disse oi para o meu porteiro, o Seu José, e perguntei para ele:

- Seu Zé, acabei de ganhar uma máquina de cortar cabelo. O senhor quer para o senhor?
Ele me olhou surpreso, vendo a caixa na minha mão.

- A caixa é de barbeador, mas aqui dentro tem uma máquina dessas que cortam o cabelo bem baixinho. Para ser sincero, quando o assunto é cortar o meu cabelo, eu prefiro deixar na mão de um profissional. O senhor quer?

- Claro, seu Francisco!

Entreguei a caixa ao homem, que segurava ela, como se tivesse ganhado o barbeador que eu tanto queria.

Voltei para casa, tentando esquecer que tinha sido enganado e tentei ao máximo acreditar que ao menos, o Seu José poderia fazer algo com aquela máquina, pois se eu tivesse ficado com ela, ela já teria voado pela janela do oitavo andar.

No dia seguinte, quando desci para comprar pão, o Seu Zé disse bom dia e perguntou se eu poderia falar com ele um momento. Achei estranho, e para ser honesto, achei que ele diria que a máquina que eu havia lhe dado tinha explodido ou coisa parecida, mas ele falou:

- Seu Francisco, o senhor acredita em coincidência? – ele perguntou, e antes mesmo que eu respondesse, ele falou – Minha filha acabou de finalizar o curso dela de cabeleireira, mas para ela arrumar emprego em algum salão, ela precisava comprar uma maquininha de cortar cabelo. Como essas maquininhas são caras, eu pedi para ela esperar até o fim do mês, pois se sobrasse algo do meu salário, eu compraria para ela, mas ela ficou chateada, pois tinha surgido uma vaga num salão pertinho de casa, e se ela tivesse a maquina...bom, isso ocorreu ontem, e vim trabalhar bem triste, pensando em pedir a síndica um adiantamento, daí, o senhor apareceu do nada, e me deu essa máquina de cortar cabelo. Seu Francisco, eu tou desconfiado, que Deus usou o senhor para falar comigo.

Um comentário:

Estrela Peregrina disse...

Incrível como servimos a Deus quando nos predispomos a isso... Por isso que temos que manter mesmo a calma, a conexão. deus escreve certo por linhas tortas e, afinal, o que sabemos nós do Plano Divino???

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