sábado, abril 24, 2010

ALGO MAIS... UMA LUZ, UM AMOR – III*

(Toques Espirituais Para Corações Que Cantam)

Eu fui lá em cima e peguei uma estrelinha.
Carreguei-a em meu colo, como um bebê-luz.
E ela me perguntou: “Para onde você me leva?”
E eu lhe disse: “Para o céu do meu coração.”
Então, ela riu e me pediu uma canção de ninar.
E eu cantei para ela, como cantam as estrelas.
E, assim, viemos juntos do céu, num raio de luz.
E, agora, ela está dormindo dentro de mim.
Sim, ela entrou em meu coração... E ambos se fundiram.
Ah, eu tenho uma estrela-bebê em meu peito.
E um Grande Amor brilhando tanto...

P.S.:
Por amor, semeamos estrelas.
E elas vão por aí... Brilhando e rindo.
Às vezes, elas entram em outros corações.
E pedem canções de ninar, em espírito.
E quem canta para elas, sente algo mais.
Sim, algo mais... Um Amor. Uma Luz.
Ah, isso não se explica, só se sente...

(Dedicado a Fernando Pessoa**, e a todas as pessoas que carregam estrelinhas em seus corações, sem jamais deixarem de sonhar e cantar o Amor e a Luz.)

- Wagner Borges – sujeito com qualidades e defeitos, espiritualista, 48 anos de “encadernação”, e cada vez mais se sentindo criança diante do infinito...***
São Paulo, 30 de março de 2010.

- Notas:
* As duas partes anteriores desse texto estão postadas no site do IPPB – www.ippb.org.br – e podem ser acessadas nos seguintes endereços específicos:
Parte I – http://www.ippb.org.br/modules.php?op=modload&name=News&file=article&sid=6898
Parte II - http://www.ippb.org.br/modules.php?op=modload&name=News&file=article&sid=6905
** Fernando Pessoa (1888-1935) - simplesmente, ele e Camões são os maiores poetas nascidos nas terras de Portugal. E há um texto em que falo de um encontro espiritual com ele, também postado no site do IPPB, no seguinte endereço específico:
http://www.ippb.org.br/modules.php?op=modload&name=News&file=article&sid=3175
*** Enquanto eu escrevia essas linhas, rolava aqui no som o CD “October Road”, do bardo americano James Taylor. Trata-se de um trabalho lançado no ano de 2002. Na verdade, é um disco regular e nem se compara aos seus grandes trabalhos das décadas de 1970/1980. No entanto, eu gosto muito de duas músicas desse CD: “Carry Me On My Way” e “Caroline I See You” (respectivamente, faixas 9 e 10).
E eu fiquei ouvindo essas duas canções, simples e singelas, e repetindo-as várias vezes, enquanto escrevia. Então, elas são a trilha sonora desses escritos.
(E que o Grande Arquiteto Do Universo abençoe ao bom e velho James Taylor por me embalar em suas canções há tantos anos.)

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QUEM SABE...?*

1. Quem é velho?
R. Aquele que não sabe rir de si mesmo.

2. Quem é jovem?
R. Aquele que se renova a cada instante e olha o infinito com a curiosidade e a alegria da criança.

3. Quem é pobre?
R. Aquele que nunca fica contente.

4. Quem é sábio?
R. Aquele que sabe que é um eterno aprendiz do Todo.

5. Quem é tolo?
R. Aquele que se acha o máximo e menospreza os demais.

6. Quem é traidor de si mesmo?
R. Aquele que deixa as trevas rondarem o próprio coração.

7. Quem é forte?
R. Aquele que não renega a luz do próprio espírito, mesmo sob a forte pressão do ceticismo do mundo.

8. Quem é o grande guerreiro?
R. Aquele que vence a si mesmo.

9. Quem é o professor?
R. Aquele que também aprende enquanto ensina, e que se sente honrado por isso.

10. Quem é o músico real?
R. Aquele que escuta a canção da vida universal em seu próprio coração.

11. Quem é o Grande Amor?
R. O Todo. A Primeira Luz.

12. Quem é o grande ladrão?
R. Aquele que rouba a luz dos outros e os leva para o mau caminho.

13. Quem é o grande curador?
R. O Amor.

14. Quem é o bom comunicador?
R. Aquele que age de acordo com o que fala.

15. Quem é o bom pintor?
R. Aquele que pinta as telas da vida com atitudes sadias.

16. Quem é o grande escultor?
R. Aquele que esculpe o próprio caráter com o cinzel da sabedoria.

17. Quem é o iniciado espiritual?
R. Aquele que vê o Todo em tudo.

18. Quem é o guia do caminho?
R. O discernimento.

19. Quem anda com os olhos brilhando e com os seres de luz ao seu lado?
R. Aquele que perdoa realmente.

20. Quem é o mestre de todos?
R. O Todo. O Primeiro Amor.

21. Quem se quebra facilmente?
R. Aquele que é rígido demais nas posturas e que tem dificuldade em compreender os outros.

22. Quem é o fanático?
R. Aquele que não consegue ver o divino nos outros.

23. Quem ama realmente?
R. Aquele que sabe que o Amor não é uma pessoa, mas um estado de consciência.

24. Quem é feliz simplesmente?
R. Aquele que sabe que o Todo está em tudo.

P.S.:
“O que está no alto,
É como o que está embaixo.
E o que está embaixo,
É como o que está no alto...
No milagre de uma só coisa.
E tudo isso é dentro do coração do homem.
Ah, feliz é quem agradece ao Todo, por tudo.
E sábio é quem ri de si mesmo...

Paz e Luz.

- Wagner Borges –
São Paulo, 09 de março de 2010.

- Notas:
* Esses escritos foram feitos de improviso, dentro dos estúdios da Rádio Mundial de São Paulo – 95.7 FM -, enquanto eu aguardava o horário do programa “Viagem Espiritual”, que apresento todos os domingos, das 12h30 às 13h.
Obs.: Enquanto eu passava essas linhas a limpo, lembrei-me de um texto muito legal do grande pensador e escritor brasileiro Rubens Alves. Segue-se o mesmo na sequência.

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O FOGO QUE NOS TRANSFORMA

- Por Rubem Alves -

Como o milho duro, que vira pipoca macia, só mudamos para melhor quando passamos pelo fogo: as provações da vida.
A transformação do milho duro em pipoca macia é símbolo da grande transformação por que devem passar os homens, para que eles venham a ser o que devem ser.
O milho da pipoca somos nós: duros, quebra-dentes, impróprios para comer, mas que, pelo poder do fogo, podemos, repentinamente, voltar a ser crianças!
Mas a transformação só acontece pelo poder do fogo. O milho de pipoca que não passa pelo fogo, continua a ser milho de pipoca. Assim acontece com a gente.
As grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo. Quem não passa pelo fogo fica do mesmo jeito, a vida inteira.
O fogo é quando a vida nos lança em uma situação que nunca imaginamos. Pode ser fogo de fora: perder um amor, perder um filho, ficar doente, perder um emprego, ficar pobre.
Pode ser fogo de dentro: pânico, medo, ansiedade, depressão - sofrimentos cujas causas ignoramos.
Há sempre o recurso dos remédios que apagam o fogo. Sem fogo, o sofrimento diminui. E com isso a possibilidade da grande transformação. Imagino que a pobre pipoca, fechada dentro da panela, lá dentro, ficando cada vez mais quente, pense que a sua hora chegou: "vou morrer".
De dentro de sua casca dura, fechada em si mesma, ela não pode imaginar destino diferente. Mas subitamente, a transformação acontece: pum! - e ela aparece como outra coisa, completamente diferente, algo que ela mesma nunca havia sonhado.
Mas existem pessoas PIRUÁS que, por mais que o fogo esquente, se recusam a mudar. Elas acham que não pode existir coisa mais maravilhosa do que o jeito delas serem.
Ignoram o dito de Jesus: "Quem preservar a sua vida, perdê-la-á."
A sua presunção e o seu medo são a dura casca do milho que não estoura. O destino delas é triste. Vão ficar duras a vida inteira.
Não vão se transformar na flor branca macia. Não vão dar alegria para ninguém.
Terminado o estouro alegre da pipoca, no fundo da panela ficam os piruás, que não servem para nada. Seu destino é o lixo.
Quanto às pipocas que estouraram, são adultos que voltaram a ser crianças e que sabem que a vida é uma grande brincadeira...

- Nota de Wagner Borges: Rubem Alves (1933-) - é escritor, pedagogo, teólogo e psicanalista. Para mais detalhes sobre o seu trabalho e seus diversos textos e livros inspirados, de alta reflexão consciencial, ver o seu site: www.rubemalves.com.br
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