domingo, março 07, 2010

Oração à Luz

Por Armando Chuh

Ninguém me feriu.
Eu me deixei ferir; acreditando que alguém pudesse fazê-lo.
O personagem vivenciou, e eu me confundi nele, agarrando a experiência para mim.
Clássico engano.

Por isso, por vezes, maltratei minhas mãos por não largar o que não me pertencia,
mas ao personagem - instável, perecível, mutável, inconstante, mortal...
Luz, conceda-me a graça de me diferenciar do personagem que maya*
move e com isso resumir toda minha sabedoria em nada saber.
Só Você é quem tudo sabe.

Vejo que mesmo quanto co-criador, continuo invariavelmente na Sua obra.
Meu feito frente ao Seu é, quando muito, sublime pretensão.

Luz, que a vida me leve consciente a Ti, para que sob a Sua guarda eu possa pairar
sobre o tempo, sobre todas as situações do passado, presente e futuro, e me
aconchegar na Sua expressão de amor perpétuo, na benção de ser e estar no todo.


* Maya: Ilusão. O poder cósmico que faz possível a existência fenomênica e as percepções da mesma. De acordo com a filosofia hindu, somente aquilo que é imutável e eterno merece o nome de realidade; tudo o que está sujeito à mudança e que, portanto, tem princípio e fim, é considerado Maya.

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