segunda-feira, março 15, 2010

A Idade da Luz

"No ar
Peixe de asa
Nada"


Para uma discussão ser válida é necessário dois pontos de vista expostos num espaço democrático onde a liberdade da informação seja igual para ambos os lados; afinal, local de um só ponto de vista é aquário.

Não existe nada mais sadio que um bom bate papo; seja virtual ou real, na internet ou na mesa de um bar, saber ouvir ( ou ler) é importante tanto para quem está falando quanto para quem quer falar ( ou escrever). Todos ganham quando a informação é mastigada, ruminada e digerida. Por isso, fico sempre de olho quando algum assunto toma conta da mídia e vira conversa de elevador, papo de transporte público ou tópico de lista na internet - e observo que infelizmente, na maioria dos casos, o assunto tende sempre para apenas um lado - bem ou mal, preto ou branco - onde o culpado é sempre 100 % culpado e o inocente é sempre 100% inocente.

Na realidade, todos nós sabemos que a vida não é tão pão-pão, nem tão queijo-queijo, basta uma oportunidade para descobrirmos que todo mocinho tem o seu lado vilão - e por sermos todos assim, tão fascinantes e ao mesmo tempo tão complexos - é necessário sempre luz na discussão, para que a sombra de um ponto de vista não encubra a outra opinião e tudo se torna escuridão.

A Idade das Trevas

" Na água
Pássaro que mergulha
Voa"


Esses dias, lí na Super Interessante, uma matéria fascinante sobre o aprendizado:

"...o cérebro se auto-recompensa toda vez que lida com uma opinião que ele já apóia".

A matéria dizia que lembramos o conteúdo, mas esquecemos a fonte, como se esquecessemos o alimento que digerimos, e lembrassemos apenas que comemos. Assim, é o nosso processo em adquirir as idéias que defendemos, nem sempre lembramos com quem aprendemos, onde isso ocorreu ou como.

Por essa razão, se faz necessário o discernimento ao tomamos contato com qualquer ponto de vista, ainda mais vindo de porta-vozes (ou porta-letras) com o qual nos identificamos, seja no preto seja no branco.

As idéias são flexíveis; elas se negativam ou positivam, ou simplesmente se transformam, à medida que estudamos, nos apronfudamos e nos esclarecemos mais sobre qualquer assunto que nos interessa; esse processo fica ainda mais forte e mais consolidado quando lemos ou ouvimos sobre assuntos que geram polêmica ou discussões passionais - e isso é muito comum, ainda mais em assuntos que envolvem a espiritualidade.

Depois de muito tempo, repetindo conceitos que achava ser meu, mas eram teoria dos outros, aprendi, na prática, que quanto mais conheço os meus professores ou como eles abordam alguns assuntos, mais percebo que tenho que estudar por conta própria. Afinal, essas idéias que ficam na boca, nos dedos ou na nossa órbita por um tempo tende a se cristalizar dentro da gente, e é só uma questão de tempo para a nossa consciência passar a utilizá-las como se elas fossem frutos da nossa própria experiência.

Todo estudante de espiritualidade - e somos todos estudantes, mais ainda quem é mestre - seja no astral ou no cotidiano, deve estar atento a qualquer pensamento ou idéia que se veste como " verdade absoluta", pois essa idéia que comprime o nosso pensamento pode nos transformar em um "obeso espiritual" - termo criado pelo Psicanalista e Pesquizador Lázaro Freire em sua apresentação no voadores.com.br, que utilizo por aqui para ilustrar o meu pensamento:

"... insisto em compartilhar meu conhecimento,
para não virar um obeso espiritual".


http://voadores.com.br/site/geral.php?txt_funcao=colunas&view=4

E haja dose de discernimento para liberar a energia dessa obesidade enraizada e transformá-la numa catarse de sabedoria. E sabedoria, nada mais é do que a responsabilidade em compartilhar o seu conhecimento, ainda mais, sabendo o quanto influenciamos outras pessoas - e por isso, muito pouca gente o faz, pois para ser um Lázaro Freire ou um Wagner Borges, ou qualquer outra pessoa que compartilha os seus estudos, é preciso muita bagagem e uma coragem imensa de ir a fundo em qualquer assunto, mesmo que esse assunto seja algo que não agradará muito nem a gregos nem a troianos.

Ter a mente aberta para a possibilidade de estarmos equivocados é sempre uma boa pedida, ainda mais em um mundo onde recebemos tanta informação e nos esquecemos como a obtivemos. Devemos estar abertos para o surgimento de algo novo que pode complementar ou transformar o que pensavámos ser o definitivo pensamento, mas sempre com a lente sutil do discernimento e do questionamento aberta. Ao fazermos isso, o nosso conhecimento do mundo - tanto de lá quanto de cá - não correrá o risco de se tornar um templo com torres engessadas em idéias dos outros, e se tornará sim, um campo aberto onde plantaremos as sementes das nossas experiências e colheremos respeito para todas as idades do nosso pensamento.

Termino esse pequeno ensaio de pensamento com as palavras poéticas e sábias do Professor Wagner Borges sobre perdão e mágoa, e a importância de se praticar a teoria que aprendemos com o filtro do coração, em seu último programa na Rádio Mundial:

" ... pois é assim que a gente aprende;
e ao aprender isso, ganhamos mais um passo à frente.
Em direção a nossa ascendência espiritual"

Ocorreu um erro neste gadget

AmazingCounters.com
Overtons Marine Supply