segunda-feira, fevereiro 01, 2010

Quando a Espiritualidade Prejudica

Como qualquer experiência na vida, o despertar da espiritualidade pode ocorrer de forma natural ou ser provocado por algum motivo que se fez necessário para que o despertar ocorresse sem a busca do indivíduo pela mesma. Em ambos os casos, deve-se tomar cuidado com o objetivo e com os rumos da nossa espiritualidade. Estudar é mister, discernirmento é obrigatório.

Muitos tomam esse caminho pela vaidade do saber ou em busca de algum tesouro paranormal que os tornarão detentores do manto da sabedoria ou do elmo do despertar das faculdades sobrenaturais; repassando para o mundo espiritual, um dos piores vícios do mundo: essa caçada desenfreada de algumas pessoas em torna-se superior aos demais.

Vemos isso, facilmente, quando observamos alguns estudantes espiritualistas tentando aprender, em qualquer curso ou palestra, todas as técnicas possíveis de ativação de chacras com o único objetivo de despertar a kundalini; ou abrir a clarividência, ou despertar outras faculdades mediúnicas ou anímicas que eles insistem em conseguir, mesmo não tendo o menor preparo para suportar as consequências das mesmas.

Pouco se fala sobre isso no mundo espiritualista, mas há por aí, milhares de pessoas descontroladas, que perderam o foco de suas vidas; abandonaram famílias, empregos, estabilidade, por não saberem lidar com as repercussões energéticas provocadas por práticas criadas por cursos mirabolantes, palestrantes ocasionais e workshops vagabundos, desses muitos que, volta e meia, chove pela cidade. Nesses casos, a nossa busca pela espiritualidade nos prejudica, por não sabermos discernir quais são os lugares que tratam a espiritualidade de forma profissional. Sim, há profissionais da espiritualidade, homens e mulheres que estudaram durante anos; que se tornaram praticantes e não teóricos de um assunto que se mal conduzido pode levar pessoas a um caminho sem retorno para o desastre. E há os vigaristas da espiritualidade, oportunistas que visam apenas o que sai do seu bolso e não o que entra em seu coração, e que enxergam na curiosidade exagerada que a massa possui em saber o que ocorre além da morte, a ocasião perfeita para se darem bem, mesmo sabendo que muitas pessoas podem pagam com a vida esse desejo de conseguir hoje, o que só pode ser adquirido amanhã.

Diferentemente de outros caminhos espirituais, a espiritualidade exige uma consciência madura e serena, e muita paciência, pois, é o caminho do não-mestre; da ausência de uma religião condutora, ou seja, uma independência voluntária num processo demorado de transformação da ovelha em seu próprio pastor.

Para ser o pastor do seu próprio caminho é necessário muito estudo, não apenas do caminho que trilhamos, mais principalmente da forma correta de caminhar, se temos condições de trilhar, se há preparo fisíco, mental e espiritual para uma jornada tão transformadora. Essa peregrinação é para todos, mas nem todo mundo está ainda preparado para percorrê-la.

Não basta aprender sobre viagem astral, ocultismo, bio-energia; todo estudante espiritualista deve se questionar sobre as suas intenções com esses estudos, antes de se aprofundar na matéria. E ao iniciar as práticas, deve-se levar em conta, que as repercussões dessas, vão variar de pessoa-para-pessoa. Afinal, cada um de nós possui um ritmo mental e fisíco, tanto para o aprendizado quanto para os resultados de qualquer coisa que iniciamos em nossa jornada.

A espiritualidade não é brincadeira de curioso; ela é um caminho sem-volta para o despertar da alma no corpo. Por isso, é preciso muito preparo, é preciso muita meditação sobre se pretendemos seguir esse caminho para satisfazer mais um capricho da nossa mente que busca sentido em tudo ou se estamos caminhando balizados com o nosso coração que buscará sempre um aprimoramento da nossa visão em relação a aquilo que só estava escondido para nos dar motivo para aprender a procurar.

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