segunda-feira, fevereiro 08, 2010

A Pílula da Alegria

Lua Linda no céu de estrelas,
As ondas batem na areia da praia,
É uma daquelas noites mágicas para se namorar, mas estamos, minha esposa e eu, no lugar errado sem nem saber o que estavámos fazendo por lá...



A Pílula da Alegria

Um homem sem camisa, visivelmente alterado, pula em frente as caixas de som. Em uma dança frenética como quem está tendo convulsões. Ele se joga no chão da pista de dança e posso jurar que baixou um espírito de uma largatixa nele. De repente, ele para de dançar, vai atá o bar e toma um drink, parece engolir uma pílula e alguns segundos depois volta a dançar mais animado ainda.

Stomp. Stomp. Stomp.
Puts. Puts. Puts.
Tump. Tump. Tump.

130 batidas por minuto, êxtase no ar e na mente. O lugar está lotado e o agito corre solto. Centenas de pessoas se aglomeram na pista envolvidos pelo batida emanada pelo DJ. A música que os leva ao trance, e um mix de música indiana, new age e bateria eletrônica.

Então era assim, uma típica "night" numa ilha grega.

A batida aumenta e parece levar o povo a loucura, e o cara não é o único a tomar a pílula que corre solta pelo salão.

- A música é legal, sem as batidas - comento com Auri ao meu lado, enquanto
noto que um sujeito não tira os olhos da gente.

Minha esposa e eu, éramos os únicos ali que pareciam não estar no clima da festa. E não demorou muito e ele veio em nossa direção nos oferecendo a chance de perder a timidez e cair na festa. Agradecemos, e eu explico que estamos nos divertindo, mas ele não fica convencido, e vai embora com cara de quem não entende o que esses dois “caretões” estão fazendo ali. Essa é a pergunta que também me faço.

Estamos finalizando a nossa viagem de férias pela Africa e Oriente Médio e que país melhor para servir de ligação entre o Oriente e o Ocidente que a Grécia? Após um dia maravilhoso na ilha de Santorini, queríamos sair a noite e dançar um pouco, e aquele folheto prometendo uma festa à beira-mar, onde todos experimentariam o “Nirvana”, pareceu atraente. Não, não éramos tão inocentes, sabíamos o que rolava. A questão é que não precisavámos disso ou daquilo para nos divertirmos.

Como era bom áquela época em que podiamos cair na noite, sem nos importamos com a nossa saúde mental, fisíca e energética. Será que não há mais por ai, aquelas festas bobinhas, onde é possível se divertir, dançar e dar rizadas com os amigos, sem precisar das pílulas da alegria ?

E a alegria era o que todos pareciam estar sentindo, mais uma alegria alterada; com sorrisos distorcidos e olhos vidrados.

Olhei para a minha esposa e disse:

- Sou só eu ou você também esta se sentindo como peixe fora d`àgua?

Ela concordou com o olhar, e fomos embora.

Fora dali, o alivio tomou conta enquanto a brisa do mediterrâneo parecia nos limpar.

- Você acha que ficamos quadrados? Será que não viramos dois evangélicos condenando o rock`n`roll e dizendo que é musica do diabo? - pergunto aflito. Estaria o garoto que adorava festas se tornando moralista depois dos trinta?

- Não, Frank- respondeu Auri - São apenas níveis diferentes. Não que sejamos melhores ou piores ou que eles estejam certos ou errados em tomar êxtase para ficarem animados; apenas o que os atrai nesse momento de suas vidas, nos repele. Seriamos moralistas ou quadrados se condenassemos ou julgassemos aquilo que não nos convém mais.

E ela tinha razão e sua palavras aliviaram meu coração. Sensação de não sou tão “ET” assim tomou conta de mim.

A lua tava Linda. A maré calma tocava nossos pés na praia que nem cena de novela das oito ou filminho bonitinho de sessão da tarde, e como é bom esse "brega" de finalmente encontrar alguém com a nossa sintonia.

Debaixo do céu estrela, abraço minha esposa e pergunto:

- Você já dançou sem música numa praia da Grécia antes?

Ela sorri e me responde:

- E quem precisa de música ou pílulas da alegria quando se quer dançar com a pessoa amada?
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