terça-feira, janeiro 12, 2010

QUANDO CHOVE CASTIGO


O primeiro pingo cai,
O povo canta em festa
A seca se vai;

Adamastor coloca vasilhas no quintal,
Abre as portas e janelas
Lá fora é carnaval;

Crianças dançam nas poças
Até cachorro corre na chuva;
A cidade está em festa
Adamastor agradece
Ao Pai do Céu
Por ter escutado as suas preces;

A plantação vai vingar,
Os frutos vão se espalhar
Por todas as mesas;
É chuva de milagre
Com certeza;

Mas chove, chove, chove
E parece que não vai parar;
O tom da celebração
Começa a mudar de tom,
O que era alegria
Agora é se preocupar;

As casas pingam,
Os ventos arrancam os tetos;
E lá de cima, o barulho do barranco
Anuncia:
" Se alerta, bicho-gente
É risco de enchente!"

Adamastor não compreende;
Como a chuva que trazia prosperidade
Se transformou
Em veículo da catástrofe;

Ele não sabe se reza a Mãe Divina
Ou se toma alguma atitude;
Seus moleques estão na rua
Com outros tantos
Tomando banho de chuva;

Então, ele toma a decisão
E sai para a rua,
Notando que todas as pessoas
Estão em suas casas,
Ninguém mais notou
O barulho da montanha;

Ele foi o primeiro a ver a água suja;
O barranco descendo feito lava de vulcão
Carregando lama e destruição;
E avisa a todos, batendo nas portas
De cada pessoa em sua rua;
Amigos e desconhecidos:
" Corre, minha gente!
Tá caindo chuva de castigo!"

O pânico é grande, mas o povo se arruma;
Tem gente que corre,
Tem gente que nada,
Tem gente que reclama,
Tem gente que ajuda as outras;

Com muito esforço,
Boa parte das pessoas
Consegue abrigo;
Subindo para o alto da cidade
E lá de cima, vendo a rua virar rio;

Percebendo a chuva dando adeus,
E o dia voltando a clarear;
Adamastor sente vontade de chorar,
Mas não deixa nenhuma gota cair;
Se foi chuva de milagre
Ou chuva de castigo,
Isso pouco importa agora,
Ele sabe que se vida ainda há
É porque as coisas devem continuar.


















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