sexta-feira, janeiro 29, 2010

Cranberries e Walkmans

"But I need some dreams!!!
You know I´m such a fool for you..."

Ahhh, Rubem Alves diz que a felicidade acaba quando começa a comparação. Aquele menino tinha um walkman, eu não. Como eu queria a chance de ouvir as minhas canções favoritas, enquanto caminhava na rua, ao ir para a escola, em cima do Monte do Cristo, em algum lugar das matas do Seminário.

Eu não sabia que existia esse aparelhinho, que a gente colocava uma fita cassete dentro e tocava as nossas músicas, direto no nosso ouvido. Já havia visto algo na TV, mas achava que era coisa de americano, que nunca chegaria no Brasil; mas quando o "Galego" chegou na escola, mostrando a todos o seu novo presente, eu me dei conta que há realmente injustiça no mundo.

Eram os anos 80 e durante toda a minha adolescência, eu desejei ter condições, um dia, de poder comprar aquele tal " uóquimein".

Cajazeiras passou, e foi somente em São Paulo, lá pelas bandas de 1989, que consegui ter dinheiro para realizar o meu sonho. Comprei um walkman que pesava uma tonelada. Era dos mais baratos, mas difícil descrever a riqueza que era ouvir as minhas canções favoritas nos ônibus, nas ruas, em todo lugar que eu quizesse.

Andava com a mochila cheia de fitas cassetes, e quanto mais dinheiro ia ganhando, conseguia mudar de aparelho: alguns tinham rádio AM-FM, outros tinham gravador de voz, outros tinham até o tal "auto-reverse", e quando finalmente, eu consegi comprar o modelo com baterias recarregaveis; alguém decretou a morte das fitas cassetes e do walkman: surgia o Compact Disk.

Incrível como evoluimos rapidamente. Em pouco mais de alguns meses, os CDs invadiram as lojas, e eu não queria ficar para trás, portanto, tratei de comprar o meu primeiro CD.

- Você tem aí o CD daquela mulher que canta: " Ai nidi samidrins"?

O albúm dos Cranberries foi o primeiro CD que eu tive na vida. Pouco tempo depois, foi o primeiro CD que toquei no meu novo "walkman", com quatro pilhas que duravam uma hora. Era caro, pesado e a mochila pesava com tanta pilha, mas a pureza e a qualidade do som valia a pena o esforço.

Naquele época, lembro ter pensado: o que os caras vão inventar agora que seja melhor que o CD?

Hoje tenho toda a coleção dos Cranberries em MP3; caminho com mais de 3.000 canções no meu i-Pod; assisto seriados e shows ( incluindo o último solo da vocalista Dolores O'Riordan) na telinha do meu i-Phone que se esconde facilmente no bolso da minha camisa, e pergunto a vocês: o que eles vão inventar agora?


Ps: Cranberry é uma frutinha da família do morango, que faz muito bem para a saúde feminina.

Os irlandeses do Cranberries, que anunciaram no ano passado o retorno aos palcos, tocam pela primeira vez no Brasil. Em São Paulo, cerca de 6.000 pessoas foram assistir ao show no Credicard Hall. A banda, que já passou também pelo Rio de Janeiro (dia 28), se apresenta ainda em Belo Horizonte (31/01, Chevrolet Hall) e Porto Alegre (03/02, Pepsi On Stage)
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