quarta-feira, dezembro 02, 2009

PELEJA ESPIRITUAL: Diálogo de mim com eu

Vou lhes contá uma istora estranha

Mas que partiu das minha entranha:


Fico aqui pensano se devo ou não contá?

Mas pensano bem acho até que posso ajudá

A quem assim como eu,

Por teimosia ou rebeldia

Fica qui nem gato: correno atrás do próprio rabo.


Pois é assim que essa cunversa de eu,

comigo mesma acumeça:

Tomei uma beberage sagrada

Feita de uma erva sagrada saída lá

De umas terra do Acre.


Erva que meus ancestral tumava

E que durante o feitio e a fervença

Iam eles fazeno reverença

A Deus, aos bicho bom da floresta,

Ao céu, à lua,à terra,

Clamando assim, o fim das guerra.


E com muito sentimento

Agradeciam ao sol, ao vento

Aos boto e às estrela do firmamento

À grande mãe natureza

Com muita fé e firmeza


E na reverença com lindo canto

Continuava todo o encantamento

E numa atitude de agradecimento,

Louvavam os anjo do céu,

Pedino proteção à São Miguel,

Justiça ao “preto” Ditinho

Força à São Jorge Guerrrero

E o amor de Antonio Casamentero.


São Tomé, só vendo e crendo:

As miração na minha mente

Tão real que felizmente

Era tanta luz e cor

Que eu vivi foi com fervor.


Vi luz, vi sombra,

Fui da noite pro dia

Tudo era magia

Era anjo me segurano pela mão

Ritmado pelo som do acordeão.

Fada com flauta encantada

Eu tava era sendo abençoada.

“Falei com os índio da floresta”...

Tudo era eterna festa

Quando de repente anoiteceu

Meu corpo todo estremeceu.


Perdi o rumo de tudo o que era

Festa,dança, pajelança

Uma ordenação tão justa

E pareceu num instante, festa de dia das bruxa.


Vi bicho de tudo que é jeito

Passei a vê todos meus defeito

Eles danado, tudo querendo me assustá

Pulava, rugia, se amostrava

E eu ainda mais apavorava.


Toda beleza de outrora,

Foi embora feito aurora

Rodando como cata-vento

Tudo o que era belo foi sumindo ao relento.


Aqueles bicho tudo sem encanto

Rindo da minha cara de espanto

E numa prova da verdade

Me tiraro da ingenuidade.


Foi quando arresorvi chegá de modo lento

E enquanto eu me aproximava,

Parecia que me desdobrava e vi que

Aquela bicharada esquisita

Saía era do meu próprio ventro.


E sismada, me firmei no poder da beberage

E forçando, cavando corage

Me assuntei com eles:

- Óia só que doidice!

Devo oiá proceis é com meiguice.

Afinal são cria do meu pensamento,

Ou são mais certo que quarqué juramento?


E pulano na minha frente

De um jeito bem perfeito

Tive que encará foi meus defeito:

Vi egoísmo, vi vaidade,

A covardia e a rebeldia

As sisma, as má impressão

O orgulho pra pedir perdão

Era um outro “eu”, que nem assumbração.


Oiavam dentro dos meus zóio

Dizendo assim:

- Foi ocê que nos criô!!!

E eu no disispero gritava em silêncio:

- Socorro meu Deus, Nosso Sinhô!

Faça com esse sacramento, eu me livrá desse tormento!


Deus do céu, e agora?

Eu correno de mim mesma?

Me salva Nossa Senhora!


Louvei à Nosso Sinhô

Pedi benção ao Cristo Redentô

Meio surda, meio muda

Apelei até pro iluminado “Buda”.

Me livra dessa cruz,

Meu sagrado Bom Jesus!!


Foi aí que pensei:

- Se eu corrê, os bicho pega

Se eu botá eles pra corrê, vai que eles vorta?

O jeito é negociá!


E de uma manera bem astuta

Olhei bem pras cara deles e lhes fiz uma bela proposta:

- Vamo fazê um contrato, é a minha sugestão!

Oceis pode até ficá, mas numa condição

Tudo oque eu aprendê na instrução

Passo proceis como lição.

Só tem um jeito da gente aprendê e crescê

É na dô ou no amô

E dô eu num quero mais não!

Então oceis fica bem quietinhos em silenço

Com muito respeito e bom senso

Assim a gente aprende junto

Porque aprende sozinha num é meu assunto!


Pra oceis í embora

Só dispois de certa hora

De aprendê “santas lição”

Pra pode voa sozinho

Com amô no coração.


Contrato feito, os bicho ficaro!

E não pense ocê que eu tava com vertige

Queria mesmo era sabê suas orige.


Mas eles nem se abercebero,

Que eu num gesto bem ligero

Escrevi num canto do documento

Que será por bem poco tempo!


Essa de tomá peia do astral

E os diabinho no maió carnaval

Num é comigo não!


E olhano bem pro firmamento

com muito encantamento

Pedi luz, pedi firmeza

Pra nossa mãe natureza

Pedi força da erva santa

Que a todos espanta e encanta


Pedi pra que com dignidade

Eu assuma a verdade

E consiga com esse aprendizado

Encerrar o meu passado

Cumprir missão nesse mundo

Levando amor, paz e justiça com perseverança

Para aqueles que já perderam a esperança.


E aqui se encerra a peleja espiritual

Do dia que bati bem de frente com toda aquela gente estranha,

Que como disse saíram todas das minha entranha.

Agora você que tá lendo isso

Assuma um compromisso:


Sendo forte que nem Maria Bonita

Ou cabra macho que nem Lampião

Assuma bem teus bicho bem de perto

Único jeito de melhorá esse universo

Num tenha medo não!



Elizabete Oliveira – cordel feito após Trabalho de Lua na Portinha do Tatuapé -5/04/2009

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