terça-feira, novembro 10, 2009

SINAIS DE QUE ALGO HÁ

As crianças podem chorar... até porque elas não sabem ainda ler os sinais.”
Gê Marques

Só não vê quem quer; só não escuta quem tapa os ouvidos. Os sinais estão por todos os lados.”
Vovó Geralda


Tenho a impressão que há uma realidade maior, que sobreposta a esta dimensão, nos guia para que esse sonho de viver na matéria não seja em vão. Desconfio, pois ainda sonho e esse sonho ainda não é lúcido. Ainda não consigo me concentrar além das imagens que se apresentam, das tentações da matéria que me enterram cada vez mais nessa dormência, impedindo a minha alma de manifestar-se plenamente em carne.

Contudo, mesmo sem enxergar direito, olho para o céu, e ao ver os pássaros voando; sinto, que um dia vou voar também.

Quero voar para estar leve o suficiente para mudar; pois quando o meu tempo chegar, quero não boicotar esse planar com apegos da terra. Já sei o quanto a escuridão é quente, e o quanto ela adormece quem se aninha nela, por isso, coloco o rosto para frente e para fora da janela, encarando o frio do desconhecido, confiando que essa dimensão maior que se espreita até nas nossas sombras, é feita de luz e amor, e a razão pela qual, ela, vez ou outra, se deixa mostrar, é para nos lembrar que algo há, que não somos daqui, pois há um outro lar...

Caminho quase sempre sonâmbulo por esse sonho, mas por vezes, desperto um pouquinho e consigo ler alguns sinais; como se o mundo falasse uma espécie de linguagem, contando a estória da minha vida; conversando comigo e me dizendo coisas que só faz sentido para a mim. Já tentei compartilhar essas sensações, mas desisti ao primeiro sinal do olhar "esse cara é louco" que vejo nos olhos do outro. Em virtude disso, se não silencio; escrevo, na esperança, que as letras possam tornar essas sensações de encanto perante o desconhecido, algo entendível, ou na pior/melhor das hipóteses, que os meus leitores achem tudo coisas de poesia, mas guardem cada verso, palavra prosada, dentro de si para que no dia em que também sintam as coisas que eu sinto, elas não se sintam sozinhas como eu me senti.

Às vezes me sinto assim, meio que coitadinho de mim, esquecido nesse sonho, deixado por Papai e Mamãe do Céu que não aparecem para me buscar. Daí, em meio a essa solidão, eu choro, reclamo e maldigo tudo aquilo que não compreendo; tudo aquilo que eu acredito; até perceber os sinais falando comigo... Então, sigo, e sinto uma vergonha gigante, por perceber que ainda estou criança quando o assunto é ver claramente os sinais, mas não desisto, pois tudo tem o seu tempo; e se me sinto soletrando ainda o que leio, é um sinal que em algum momento, conseguirei se não compreender o texto do mundo inteiro; ao menos ler até o final a crônica de mim mesmo.

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