sexta-feira, novembro 13, 2009

SE NANCY NÃO ACORDAR GRITANDO...

Foi numa sexta-feira 13 que fui ao cinema pela primeira vez; e para assistir "A Hora do Pesadelo". Até então, a Tela Grande era um sonho de consumo de um neguinho nordestino. A verdade é que aos 12 anos de idade eu já era um cinéfilo, mas sem um centavo no bolso, por isso acompanhava com atenção quase todos os filmes que eu conseguia assistir na televisão. Se bem que em 1986, os filmes mais novos que eu via na telinha eram dos anos 70, contudo, fui pegando gosto, e pouco a pouco me apaixonando pela sétima arte e mais ainda por filmes de terror.

Sim, eu adorava levar susto. Os filmes de terror tinham um sabor diferente e bem real: mexia com os meus medo, com os sentimentos mais profundos, que eu fazia questão de deixar enterrado em algum lugar da minha alma. Durante os filmes, com os sustos e suspense, esses sentimentos vinha à superficie e era uma festa de sensações e até mesmo inspiração: contos de terror pipocavam dos meus cadernos.

Sendo assim, quando Robinho, meu melhor amigo, convidou-me para assistir o filme no cinema na quinta; eu passei a noite inteira sem dormir de tanta ansiedade. O dia seguinte durou forever, mas às 7:00 da noite em ponto, lá estavámos em frente ao cinema para assistir o filme "A Hora do Pesadelo", onde um cartaz estranho, mostrava uma mulher acordando apavorada.

Eu queria muito assistir ao filme. Carros de som percorriam a cidade anunciando:

" Se Nancy não acordar gritando...
( entrava o som de um grito de mulher bem alto)
Ela não despertará jamais...

A Hora do Pesadelo, nessa sexta, no Cine Éden"

Na cidade de Cajazeiras só havia uma cinema, o " Cine Éden" ( havia outro que pertencia aos Padres da Cathedral da cidade, mas só passava filme infantil e religioso). O Éden
era o grande programa das famílias ricas da cidade. Como no interior da Paraíba, os filmes demoravam a chegar, descobri depois que o filme do ano que a cidade anunciava nas rádios, em outdoors e em carros com caixas de som por toda a cidade, era na verdade de 1984. Outro detalhe é que, se hoje, quando eu falo de Freddy Krueger, a ficha cai em seguida; naquela epóca, ninguém sabia quem era o flamenguista mais horripilante da história; que até o Woverine morre de medo.

Voltemos ao cinema...

O Robinho não era rico e a essa altura, vocês já desconfiam que nem muito menos eu; e a razão pela qual, fomos parar no Cine Éden, na estréia do filme mais aguardado pela "elite cajazeriana"; foi o fato que um amigo do Robinho era sobrinho do lanterninha e entramos pelas portas do fundo.

Uma vez lá dentro, senti pela primeira vez as emoções de estar diante daquela tela branca enorme, sentado, aguardando o ínicio do filme e quando as primeiras cenas começaram, as meninas já gritavam de susto, enquanto, Robinho e eu, davámos risada de tudo aquilo.

No filme, um grupo de adolescentes tinham pesadelos horríveis, onde eram atacados por um homem deformado com garras de aço. Ele aparecia durante o sono e, para escapar, era preciso acordar. Os crimes vão ocorrendo seguidamente, até que se descobre que o ser misterioso é na verdade Freddy Krueger, um homem que molestou crianças na rua Elm e que foi queimado vivo pela vizinhança. Agora Krueger pode retornar para se vingar daqueles que o mataram, através do sono.

Nossas risadas deram lugar a atenção absoluta por aquele filme estranho que falava que coisas que ocorriam em nossos sonhos poderiam ter um efeito "real e mortal" em nossas vidas; e a figura daquele maníaco de unhas feitas de lâminas afiadas, nos aterrorizou até o final.

Em suma: era o melhor filme que já havíamos visto e a aquela música de pular cordas que as crianças cantavam, virou nosso tema musical pelos próximos meses.

" “One, two, Freddy's coming for you.
Three, four, better lock the door..."

Saímos pelas ruas da cidade, cantando aquela música e fazendo piadas com o pessoal que ficou mesmo assustado com o filme.

Ao chegar em casa, eu mal continha o sorriso no rosto. Tudo era felicidade pura, realização; eu finalmente tinha assistido um filme no cinema; e que filme. Quando a minha vó apagou as luzes e me desejou "boa noite"... percebi, que alguns pensamentos começaram a tomar o lugar da alegria que eu sentia. " E se os sonhos fossem mais que aquelas imagens desconexas que temos todas as noites? E se freddy realmente existisse e viesse me pegar?"



Nesta sexta-feira 13, pensei em escrever sobre a primeira vez que conheci o famoso assasino das telas: Jason Vehooves da série homônima, contudo, quando penso em sextas 13, não consigo deixar de lembrar daquele apavorante personagem da minha infância, que hoje, já virou até desenho de criança; mas que influenciou totalmente, os estudos que eu faria depois sobre sonhos e viagens fora do corpo.

Viagem fora do corpo?

Sim, eu sei, é just a dream, just a dream...

Nenhum comentário:

Ocorreu um erro neste gadget

AmazingCounters.com
Overtons Marine Supply