quinta-feira, novembro 19, 2009

Palavra Maldita é Melhor Calada

Uma palavra voa ao vento. De onde ela escapou? - Pergunto ao tempo - Quem a escreveu? Quem a falou? O que será que ela carrega em suas asas?

O Tempo, Mestre Sábio, nada diz, apenas observa, e eu entendo, e sigo o exemplo do Tempo e observo essa palavra carregando intenções que não entram na janela da minha alma. De longe, ela parecia ter asas; de perto, ela tem jeito de pedra na cara. Quem quer que a tenha soltado, não se deu conta que a reverteu com sombras, mágoas e preconceitos. Pode até ter dito com boa intenção, mas sabemos do que o inferno está cheio.

Pena para que te uso? Palavra para que te quero? Nesse mundo em que tanta gente trabalha para a Banda do Escuro, quem doma a palavra deveria lutar pela Banda do Claro. Escrever, falar em público é um poder; e como todo poder, pode corromper; podemos nos enganar e erroneamente entender que estamos no caminho das palavras benditas, por isso, quando escrevo, penso bem se não há nos meus escritos, alguma frase maldita; alguma frase que provoque em quem me lê, mais preconceitos e maldades; pois nisso, o país já possui muitos mensageiros, ainda mais numa cultura onde ninguém aprecia uma leitura.

Esses dias, fiz um pedido impossível e pedi a Deus que a grande maioria dos brasileiros aprendessem a gostar de ler; pois lendo, eles poderiam interpretar o mundo em que fazem parte; e criar uma visão individual de mundo baseada em sua realidade; mas esqueci de pedir algo mais plausível: clareza nas mãos de quem produz escritos!

Clareza não é apenas uma palavra bem formulada, frase estrategicamente bem feita; qualquer fanático pode escrever um texto com começo, meio e fim, ou com contexto e coesão. Clareza é saber que o que se escreve ou o que se fala, pode atingir milhares de pessoas, ainda mais se for texto escrito ou áudio dito na internet. Clareza é saber o poder que a sua palavra pode acumular e se ela começar a provocar um tsunami de reações negativas, a intenção de esclarecer não foi atendida, e passamos a fazer parte do time que solta palavras ao ar e diz que nada daquilo era o pretendido.

Por isso, sigo os conselhos de um escritor amigo, e sempre penso muito bem antes de postar um texto, de compartilhar uma idéia, uma crença ou um palpite. Justamente por eu não saber para onde vai uma crônica ou qual o caminho de uma poesia, é que a responsabilidade aumenta ainda mais na minha escrita.

E o destino das minhas letras?
Sim, quero o meu leitor sorrindo. Óbvio que desejo que ele se esclareça, mas se a palavra que soltei ao vento não alcançar o seu destino, peço ao Tempo, que ao menos, o que escrevi não aumente as tormentas dos preconceitos.

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CORREIO DA MÁ NOTÍCIA


Ó Palavra encantada,
Que de tão bonita falada,
És mais linda ainda escrita;
Explica:
Quem criou o Correio da Má Notícia?

Quem foi que te alterou
E fez de ti instrumento de temor?

Eu quero saber
Para aprender
A não fazer
A mesma coisa
Nas crônicas da minha vida;

Eu não gosto de te ver
Palavra escrita
Sendo usada
Como arma da mágoa
Como pedra de discórdia

Por isso me diz agora
Quem te atirou
Feito pedra na minha janela
Ao invés de te dar asas?

Conta:
Quem não te enxerga sagrada?
Quem não sabe
Que tu és bendita;
Encantada quando falada
E interpretativa quando escrita?

Um comentário:

karina disse...

Eita seu Frank, esse pecado eu já cometi.

Bom de ler e feito pra pensar.

É sempre bom passar por aqui.

Obrigada pelas palavras bem usadas.
beijo

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