quinta-feira, novembro 05, 2009

O COBRADOR ZEN

Enquanto a senhora se irrita, maldiz a vida, o ônibus lotado, os passageiros mal-educados; o cobrador permanece com o olhar fixo em algum lugar entre a janela do ônibus e o infinito; além do “cisco” que coça os nervos dos eternos atrazados, cujo mundo vazio é apenas desculpa para as nuvens cinzas que os acompanham pela vida, pelos coletivos, refletidos em testas franzidas e bocas queixosas por toda parte.

A senhora paga a passagem, diz que aquela situação é uma calamidade, que ser tratada como gado é uma falta de respeito com a sua idade; o cobrador nada diz, apenas continua meditando no tempo da linha Rio Bonito – Ipiranga.

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