quarta-feira, setembro 23, 2009

Rosa da Cidade

No meio do trânsito, estaciono o carro. Saio, sento em um banco e observo: as pessoas estão cansadas, voltando para as suas casas, esgotadas. Nos ônibus, nos carros, nos táxis; em trens lotados, no metrô apertado; elas estão por toda parte; algumas delas vivendo como se não houvesse nada que as interligasse; como se Deus estivesse contido apenas nas missas de Domingo, só morasse na leitura do Livro e não ali do lado; sem desconfiar que o Criador está em tudo, mesmo no caos do dia-a-dia, onde nós estamos boa parte do tempo, atuando e vivendo, provando se colocaremos na vida, a teoria que circula em nossos pensamentos. Outras dessas pessoas são como rosas; olho para elas, e mesmo no concreto da corrida para o trabalho ou na loucura de voltar pra casa, há beleza em seus olhares; como se o Criador nelas co-criasse um olhar que se abre em pétalas; um olhar que rosa, rosa que olha; de onde vem a beleza dessa rosa? Da cidade!

Saindo do caos, das rochas do cansaço, essa rosa insiste em abrir caminho, em meio ao cimento, tendo o desafio de mostrar as suas pétalas, mesmo quando todo mundo espera que não seja possível ter graça no que é aparentemente feio, detestável, indesejável.

Essa rosa tem a sua cara, parece com essa gente que insiste em viver o melhor
que pode mesmo quando tudo aponta para o contrário.

Essa gente que se diverte, ri, canta, dança e também chora; mas chora somente o tempo do choro e enxuga tudo aquilo que não for lágrimas.

Essa gente que vive bem as suas fases de vacas magras, não se esconde, mostra a face, trabalha; e mesmo com a cabeça cansada encostada na janela do ônibus; um meio sorriso é visto em seus lábios; sorriso pétala de quem faz o que é preciso para viver a vida na cidade que a TV diz ser insuportável, perigosa e opressiva; e disso ninguém tem dúvida, mas aqui, nessa selva de pedra onde se correr o bicho pega e ficar parado não se come; há beleza, há gente que estuda os mistérios do Divino e que insiste em ver o belo no cinza, no concreto e ainda grita: é lindo!

Claro, seria mais fácil, muito mais fácil, fugir da cidade; ir para qualquer lugar que não aqui e agora; escapar, fugir, buscar uma rota que não trabalhar para a sua flor despertar em meio ao cinza, ao chefe que rosna, a criança que chora, ao mendigo que implora a piedade com as mãos em concha. Sim, seria mais fácil viver longe daqui, no sul de Minas ou no Himalaia, encontrando a paz na tranqüilidade, na ausência do perigo, sem a ameaça da violência ou da morte; feliz de quem pode, mais que bonito é, essa rosa da cidade, que pratica o amar "no mather what*"; gente rosa que firma o caule, aprofunda a raiz, para que o verde que há no seu peito possa florescer em galhos fortes que sustentem as suas flores nesse Jardim de Nós Todos.

2 comentários:

Caroline disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Caroline disse...

Oi:)
Gostei muito do seu blog das coisas que escreve.Pois não tenho muito jeito de escever bonito como você escreve por isso aprecio.
Estou te seguindo ta bom?
Beijinhos Carol=)

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