quarta-feira, setembro 30, 2009

Flores de Nanã

" São flores, Nanã;são flores
São flores, Nanã Buruquê!
São flores, Nanâ; são flores
De seu filho Obaluayê!"



Eles me disseram, Mamãe, que com a Senhora não se brinca; se mantém distância. Que o seu nome deve ser evitado; seus pontos se possível, raramente cantados; mas se os Orixás forem todos saudados; devemos te saudar também, para a senhora não ficar brava; por isso eles cantam para a Senhora sempre com muito respeito e duas doses de medo.

Eu não consigo! Mamãe, desculpe. Não aprendi a cantar com medo ou tristeza; para mim, cantar é sempre um ato de alegria; por isso não consigo tirar o sorriso do rosto quando canto para a Senhora, minha Mãe e Mãe de todos os outros seres.

O sorriso me vem ao rosto quando lembro que a Senhora vem sempre para mim tão doce, tão vovó e, certa vez, a Senhora disse que cuidava de mim, que me protegia; que eu era o seu filho e a Senhora, estrela guia minha.

Eu nem havia lido sobre a Senhora; seus primores eram para mim, um grande mistério; e nesse império de crenças que eu sempre edifiquei como base do meu estudo, nunca dediquei uma página a sua história; e mesmo assim, a Senhora veio e vem me visitar; e sempre me trata com tanto carinho.

Confesso que consultei alguns amigos, queria saber um pouco mais além daquilo que os livros não diziam; que os sites da internet não contavam e para a minha surpresa; eles nada também sabiam; o que diziam era que ninguém falava muito da Senhora, pois tinham medo de lidar com as suas forças.

Eu fiquei confuso; pois quando pensava em sua presença, eu sentia conforto, carinho; como se deitasse o meu corpo na Terra e pudesse descansar em paz, pois eu estava protegido. Na sua sintonia, o meu corpo ainda vestido comigo, se lembra que é parte da terra que forma esse planeta, do barro que reveste esse chão. E esse pensamento nada tem de triste, pelo contrário, pois sinto que em seu nome, tenho porto seguro, posso voar além da noite e do mar, com a certeza que tenho casa para voltar.

Daí, pensando nisso, fui ficando mais tranquilo, Mamãe Nanã, pois a experiência vale por mil teorias; e se quando penso em seu nome, o seu nome me trás um sorriso; posso cantar tranquilo, pois nada tenho a temer, e por isso repito com alegria: "Salubá Nanã Buroquê!"

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