quarta-feira, julho 29, 2009

Uma Crônica de Guiné-Bissau


De acordo com o site Notícias Lusófonas:
"Os guineenses ficam hoje a saber quem é o futuro Presidente da República da Guiné-Bissau com o anúncio dos resultados provisórios pela Comissão Nacional de Eleições do país, que serão feitos numa unidade hoteleira de Bissau."

Guiné-Bissau?
Bissau?
Onde fica Guiné? Na África?
Que língua eles falam?
É mesmo português?

Crioulo?
Eles conhecem o Lula por lá?
Choraram por Michael Jackson?



Voei por Guiné-Bissau! Fui recebido por Cabral, não o navegador, mas o poeta que recitou:

« Ah meu grito de revolta que percorreu o mundo
que não transpôs o mundo
o Mundo que sou eu !

Ah ! meu grito de revolta que feneceu lá longe
Muito longe
Na minha garganta !

Na garganta mundo de todos os Homens »


O mundo somos nós, na nossa garganta está o grito de toda a gente, até daqueles que não conhecemos, pois vivem distante dos olhos; ausentes do campo de visão de nosso coração.

Daí encontrei outro poeta chamado Agnelo Regalla, que perguntou-me:

- O que trazes tu do Brazil?

- Meu espiríto, poeta - respondi, e ele me respondeu:

- Mas o que veio buscar, não há nada aqui pra ti, estrangeiro. Provavelmente deseja nos ofertar a tua música ou a tuas letras.

" Fui levado
a conhecer a nona sinfonia
Beethoven e Mozart
na música
Dante, Petrarca e Bocácio
na literatura

… Mas de ti mãe África ?
Que conheço eu de ti ?
a não ser o que me impingiram
o tribalismo, o subdesenvolvimento
e a fome e a miséria como complementos…"


- Vim buscar as tuas palavras, poeta - respondi e continuei voando, até que ouvi uma poeta fazendo poesia em português e em crioulo:

"Em que língua escrever
Na kal lingu ke n na skribi

As declarações de amor?
Ña diklarasons di amor?

Em que língua cantar
Na kal ingu ke n na kanta

As histórias que ouvi contar?
Storias ke n contado?

Falarei em crioulo?
Pa n kontal na kriol?

Falarei em crioulo! "

Seu nome era Odete Semedo e por mim, ficaria ouvindo seu canto por toda a noite, mas precisava voar e fui voando pelas terras de Guiné-Bissau, pelas terras altas do nordeste, pelo litoral, pelos mangais do arquipélago dos Bijagós, tentando pegar cajus por todo o sul.

E enquanto voava sob as margens do rio Gêba, desci e troquei umas prosas com Domingas Sami, Abdulai Silá, Carlos Lopes, Filinto Barros e Carlos Edmilson Vieira e recolhi contos, lendas e costumes populares. Eles me contaram sobre as suas letras que são a própria recordação de brincadeiras da juventude e as vicissitudes sociais e políticas da sociedade guineense.

Por último, agradeci a todos e voltei para o Atlântico. Precisava voltar pra casa, mas antes de deixar a amada África, agradeci a Filomena Embaló que comigo estava por todo o vôo pelas letras guineenses.

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