sexta-feira, julho 17, 2009

ATO V: A Piedade

O Auto da Piedade
Sete Atos de Loucura



Era uma manhã fria
E meu corpo estava vestido com roupas molhadas.

Tremia tanto que parecia que alma seria expulsa do corpo,
Mas a alma teimosa não arredava vida
E continuava tremendo com a mente,
Que arrastava o corpo até uma padaria,
Na esperança de um pedaço de pão para aquele dia;
E antes mesmo que eu pedisse,
Uma senhora enviada pela Boa Sorte veio me ajudar,
Caridosa,
Ofereceu-me um cafezinho bem quentinho que aqueceu até os cabelos da minha alma.

Deu vontade de chorar
Deu vontade de agradecer
De me jogar aos pés dessa gentil senhora e dizer:
Graças a você, ainda dá vontade de voltar para o mundo!
Mas não deu tempo
O Português da padaria me enxotou;
Miserável na porta espanta fregueses
Pingado e pão na chapa
Não combinam com vagabundo.

Aquele café,
Contudo,
Tinha gosto de Casa da Mãe.
Não pela cafeína ou pelo açúcar misturado com a água quente que derreteu os grãos;
É que eu tomava carinho e carinho aquece o coração.

O frio foi embora,
As roupas se secaram,
O sol aqueceu a mente
E o corpo ficou doido de vontade
De dançar...

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