sábado, maio 23, 2009

UMA MANSÃO NORDESTINA

Para quem morava num quarto com cozinha e banheiro em Brasília, a casa dos meus avós, era uma mansão. Havia uma árvore em frente da casa e uma calçada. A casa tinha telhas e porta e janela de madeira.

Ao entrarmos, percebi uma sala ampla, com duas cadeiras de balanço que conversavam entre si; um jogo de sofás bem confortável, coberto por um pano verde, uma estante repleta de discos de vinil, uma radiola e uma televisão preto e branco. Na parede, imagens pintadas dos meus avós e de todos os meus tios e ganchos para rede. Duas outras portas, davam acesso ao resto da casa, uma delas era para o quarto dos meus avós, e a outra abria um corredor que nos levava a sala de jantar, com uma mesa para seis pessoas, e um silo gigante, onde descobri depois, havia quilos e quilos de arroz. Á direita havia o quarto da minha tia Mazinha e à esquerda, começava a cozinha, com forno a lenha, panelas penduradas na parede e potes com água, ao lado do ármario antigo, repleto de louças e copos, havia uma porta para o quintal, onde conheci um pequeno espaço, que minha mãe disse ser o banheiro e um buraco no chão, que seria o nosso vaso sanitário. Em frente ao buraco, um tanque cheio d’água que usariamos para tomar banho.

- Não pode desperdiçar água – minha vó foi logo me avisando, provavelmente percebendo que eu já estava a um passo de tirar a roupa e pular naquela piscina – Para tomar banho, você usa a cuia e enche somente um balde d’água.

Cuia..humm, depois eu descobriria o que era aquilo...estava com muita fome, e para a minha alegria, o almoço estava pronto.

Na mesa, minha vó nos serviu feijão de corda, farinha e cuscuz de milho. Não era muito fresco não, mas eu não gostava de nada que vinha do milho, nem era fã de farinha e feijão de corda? Humpft! Eu simplesmente odiava esse prato; pois já tentara comer em Brasília antes; e com certeza, esse feijão e o meu paladar eram inimigos.

- Tem outra opção? – perguntei. Todos riram. Só fui entender a piada, quando no dia seguinte, repetimos a mesma refeição e novamente no outro dia, e de novo no outro dia.

A aventura em Cajazeiras estava apenas começando...

Um comentário:

Anônimo disse...

O que dizer,se não que sua memória é excelente caro irmãozinho,esses eram tempos Gloriósos que espero que não se repita mais né???

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